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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Processamento Auditivo Central - Avaliação e Terapia


O exame de processamento auditivo central avalia funções auditivas relacionadas a localização sonora, discriminação auditiva, reconhecimento de padrões auditivos (tais como: intensidade, frequência e duração do som) e desempenho auditivo na presença de sons competitivos ou distorcidos.

È realizado em indivíduos à partir de 06 anos de idade (para o teste convencional), ou em crianças de 04 e 05 anos de idade através de uma triagem de Processamento Auditivo.
O paciente deve apresentar audição normal e nenhum comprometimento de orelha média momentânea.
Os resultados obtidos no exame nos fornece informações sobre os tipos de prejuízos gnósicos existentes, além do grau em que se encontram tais prejuízos (leve, moderado ou severo).
São três os tipos de prejuízos gnósticos existentes:
Perda gradual de memória, que é uma inabilidade de reter as informações acústicas na qual está sendo exposto, ou seja, o indivíduo tem dificuldade de memorizar sentenças longas e ordens com várias etapas.
Decodificação, que é uma inabilidade em atribuir significado à informação auditiva, quanto à análise fonêmica dos sons da língua. Ou seja, para o indivíduo é difícil discriminar e dar significado aos sons da língua, levando à uma dificuldade de entendimento do que lhe é dito.
Organização, que é uma inabilidade em decorar sequências verbais e/ou não verbais, além de uma desorganização em casa e no ambiente escolar.
Além destas alterações,podemos encontrar alteração de fala no ruído unilateral ou bilateralmente, no qual o indivíduo teria uma dificuldade de compreender a fala em ambiente ruidoso.
As alterações encontradas são tratadas através de terapia fonoaudiológica com ênfase em treinamento auditivo. Após determinado tempo de terapia, é realizado o reteste afim de observar as melhoras alcançadas.
INFLUÊNCIAS – PAC
• genéticas – hereditariedade
• dominância manual (destro X canhoto)
• Perda auditiva (lesão do ouvido interno ou vias auditivas)
• Padrão sócio-econômico = privação de fluxo lingüístico
 
ÁREAS PROBLEMÁTICAS (não estão no controle do indivíduo)
• Atenção
• Memória
• Figura-fundo (2 sons verbais ou não verbais sobrepostos)
• Fechamento (discriminação de sons fisicamente distorcidos)
• Lógica (no sentido do que foi falado)
 
CARACTERÍSTICAS COMPORTAMENTAIS DO PAC – dificuldades em
• Ouvir e/ou compreender em ambiente ruidoso
• Manter conversa, no telefone por muito tempo
• Dificuldade em ditado
• Dificuldade em compreender historias, verbal (ex. leitura de livros) ou visual (ex. filme)
• Aprender língua estrangeira
• Dificuldade em matérias escolares subjetivas (ex. historia, geografia e português)
• Ler e escrever
• Organização pessoal (ex. inicia varias atividades ao mesmo tempo, sem concluí-las)
• Psicológicas
• Falta de apreciação musical
• Atenção auditiva em ordens verbais ditas


Após o diagnóstico é fundamental o acompanhamento fonoaudiológico.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Terapia de processamento auditivo




Decodificação:
Deverá enfatizar o treino das habilidades auditivas de consciência fonológica (análise e síntese) associada à leitura e o treino dos aspectos de discriminação de freqüência, intensidade e duração de sons não-linguísticos e de sons verbais.

Codificação:
Deverá enfatizar o treino da compreensão de linguagem no ruído (figura-fundo) e o treino de cada canal auditivo separadamente, utilizando tampão auricular.

Organização:
Treinar predominantemente memória para sons em seqüência. Utilizar sons verbais visando à seqüência lógico-temporal de um texto. Usar sons não verbais visando à prosódia da fala.


O processo de intervenção não possui uma ordem seqüencial de treino preestabelecida.

Atividades:

1)   Duração de 10 a 20 min. Material: um lenço de pano. Objetivo: desenvolver o processamento auditivo e a memória. Organização: os participantes formam um círculo, ficando um deles no centro, com os olhos vendados. Desenvolvimento: o animador caminha ao redor do círculo e toda vez que tocar em alguém, aquele que foi tocado perguntará: Quem é? Quem estiver no centro, com os olhos vendados, terá que adivinhar o nome do participante que falou. Se não adivinhar, o participante que falou passa a ocupar o lugar dele no centro do circulo. Mas se reconhecer a voz e pronunciar o nome do companheiro mantém seu lugar e a brincadeira recomeça.


2)   Duração 15 minutos. Material: giz ou equivalente pra traçar uma linha no chão; dois cartazes: em um escrito a palavra rio e em outro a palavra ribeira. Objetivos: desenvolver a orientação espacial; desenvolver o processamento auditivo, sendo as habilidades auditivas predominantes tais como a atenção e o reconhecimento de palavras com extensão diferentes. Organização: traça-se uma linha bem visível no chão. Um dos lados da linha será o rio, onde será colocado o cartaz correspondente no chão, e o outro, ribeira, onde coloca-se o outro cartaz. Os participantes colocam-se em fila indiana, do lado da ribeira, junto à linha divisória. Desenvolvimento: o animador vai alterando arbitrariamente as palavras rio, ribeira..., devendo os participantes deslocarem-se, saltando com ambos os pés, para o lado indicado. Quem se enganar ou pisar sobre a raia, sai do jogo. O ultimo que ficar será o vencedor. Pode-se tornar o jogo mais difícil, fazendo com que os participantes pulem num pé só ou que coloquem a mão na nuca. Se perderem o equilíbrio ou soltarem a mão terão que sair do jogo.


3)   Duração de 10 a 20 minutos. Objetivo: desenvolver o processamento auditivo, sendo as habilidades auditivas predominantes atenção, memória e o reconhecimento de palavras. Organização: os participantes dispõem-se em círculo, sentados, deixando um lugar vago. Cada qual escolhe para si o nome de uma fruta ou verdura e esta escolha deve ser feita em conjunto. As crianças podem escrever os nomes das frutas e verduras em papéis, lendo-os em seguida e sorteando-os. Os nomes podem ser colocados na forma de crachás. Desenvolvimento: o animador conta que foi a uma quitanda e lá conheceu o Sr. Joaquim que lhe perguntou o que desejava e ele foi enumerando uma lista de verduras e frutas com as respectivas quantidades. Cada vez que o animador menciona uma fruta ou verdura, o participante que tiver o mesmo nome deve ocupar o lugar que estiver vago; aquele que se enganar ou demorar sai do jogo. Observação: é preciso ter cuidado de reconstituir o círculo toda vez que necessário, de maneira que não fique mais de um lugar vago. A atividade pode começar lentamente e ser acelerada aos poucos.


4)   Duração 15 minutos. Material: um apito. Objetivo: propiciar o desenvolvimento do processamento auditivo, sendo as habilidades auditivas predominantes a atenção e o reconhecimento de sons não verbais com variação de intensidade (forte versus fraco), duração (curto versus longo) e freqüência (número de vezes). Organização: os participantes colocam-se em fila, separados por uma distancia de um metro. O professor ou terapeuta deve ter um apito. Desenvolvimento: quando o animador apitar uma vez, os participantes deverão dar um passo pra frente. Se apitar duas vezes, o passo será pra trás. Quem se atrapalhar sai do jogo. E assim prossegue sucessivamente até restar um só que será o vencedor. Observação: pode-se variar a atividade acrescentando saltos para os lados ou outros movimentos e as opções de apresentação do som já descritas.


5)   Duração de 5 a 10 minutos. Material: cadeiras. Objetivo: estimular a atenção; desenvolver o processamento auditivo. Organização: dispõem-se as cadeiras formando uma roda, colocando-se uma a menos que o total de participantes. Desenvolvimento: todos em pé, inicia-se o percurso ao redor das cadeiras, sem tocá-las. A movimentação deve ocorrer ao som de uma música, cantada pelas crianças com variação de velocidade, sendo que, em músicas mais rápidas as crianças deverão andar mais rápido e, em mais lentas, o oposto. Ao sinal do professor, cada qual procura sentar-se na cadeira mais próxima. Quem não conseguir sai do jogo.


6)   Duração 20 minutos. Material: giz para traçar círculos no chão. Objetivo: desenvolver o processamento auditivo; treinar habilidades auditivas associadas com habilidades visuais. Organização: os participantes escolhem ou recebem nomes de animais, escrevendo e/ou lendo os diferentes nomes, sentam-se ao acaso no chão (a floresta) Desenvolvimento: o caçador percorre o lugar em todas as direções e vai chamando os animais. O integrante nomeado deve apessar-se a tomar a posição atrás do professor. O passeio dos animais, quando designados pelo caçador pode ser feito por exercícios os mais variados: corridas, saltos etc.


7)   Duração de 12 a 40 minutos, conforme o número de participantes. Material: um lenço, um pacote de balas, folhas ou pedaços de papel. Objetivo: desenvolver o processamento auditivo, sendo as habilidades auditivas predominantes como a atenção e a localização sonora. Organização: os participantes sentam-se formando um círculo. O professor coloca uma venda nos olhos de um deles, em seguida transporta para algum lugar, por ele ignorado, o pacote de balas, que deverá estar envolvido em papel grosso, de tal maneira que seja difícil desembrulhar sem fazer ruídos. Desenvolvimento: a um sinal do professor um dos participantes, indicado ao acaso, deixa seu lugar e aproxima-se silenciosamente do pacote de balas. Se conseguir abri-lo sem fazer barulho, tem direito a comer uma bala e ganha três pontos. O participante que fez o papel de sentinela toda vez que ouvir algum barulho grita “alto” e indica a direção onde acredita estar o ladrão. Se acertar, o companheiro que faz o papel de ladrão é eliminado e a sentinela ganha três pontos. Escolhe-se nova sentinela e outro participante para o papel de ladrão e a brincadeira continua. Pode-se dividir os participantes em duas equipes e, neste caso, os pontos ganhos serão distribuídos às respectivas equipes.


8)   Objetivos: percepção auditiva analítico-sintético não verbal; ampliação do vocabulário. Material: gravador e fita cassete com sons relacionados a situações contextualizadas. Método: o professor apresenta aos alunos várias seqüências sonoras (em média três estímulos por seqüências), representando determinadas situações. As crianças separadas em grupos, deverão recompor em todo as partes sonoras apresentadas, marcando pontos para seu grupo. Exemplo: buzina, motor de carro e carro freando = rua; telefone, máquina de escrever e impressora = escritório.


9)   Objetivos: ampliação do vocabulário; percepção auditiva/rima, introdução à noção de prefixo e sufixo. Método: a criança deve inventar palavras que tenham em comum o sufixo ou o prefixo da palavra selecionada; por exemplo: com base em “infeliz” e “livraria” ela faz outras associações, formando palavras como insensível, inativo, indiscreto/carpintaria, papelaria, mercearia, sapataria.

10)                    Objetivos: desenvolver a memória auditiva verbal; desenvolver o gosto pela leitura e escrita; percepção auditiva de figura-fundo; promover o aumento do vocabulário. Método: formular histórias com as crianças em que o início é dado e cada criança contribui com uma parte da história. Ao terminar, a história deverá ser lida para as crianças pelo professor. A atividade deverá ser realizada com mensagem verbal competitiva (música, barulho de rua etc.). Deve-se chamar a atenção da criança para o som do fundo.

11)                    Objetivos: desenvolver a memória auditiva verbal; desenvolver ritmo; ampliação do vocabulário; introdução de prefixo e sufixo. Método: a partir de um inventário de palavras realizado pela criança e/ou de um texto escrito, o professor seleciona uma palavra em que aparece um prefixo e/ou um sufixo. O professor orienta as crianças a construírem a “família da palavra” (por exemplo, a palavra pedrinha permite que a criança reconstitua a “família”: pedra/pedreira/pedreiro/pedregulho/pedraria...). Cada aluno deverá repetir a seqüência correta de palavras e acrescentar um novo elemento, marcando cada sílaba de palavras com palmas.

12)                    Objetivos: estimular a linguagem oral; estimular a memória auditiva. Método: o professor narra o enredo de uma história. Por exemplo: João hoje saiu de manhã e... Cada aluno, por ordem, deverá repetir o que foi dito e colocar mais alguma coisa que complemente a história, imediatamente. O professor dirá que a história deverá ser memorizada. Após completar a história (ou o número de crianças), o professor fará a interpretação da mesma com as crianças.

13)                    Objetivos: identificar estímulos sonoros; desenvolver a memória auditiva; treino monoaural e binaural para mensagens verbais; desenvolver a produção oral. Material: texto para leitura (histórias interessantes e curtas). Método: o professor deverá contar uma história curta de forma expressiva, podendo, para isso, utilizar objetos para representar os personagens da história e sons instrumentais e ambientais para representar determinadas situações. O aluno deverá ouvir a história ocluindo com a mão uma das orelhas. Posteriormente inverte-se a orelha que será ocluída e, numa etapa final, a história é contada repetida sem que os alunos ocluam as orelhas. Cada aluno deverá reproduzir parte da história oralmente.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Distúrbio de Processamento Auditivo Central - DPAC


Distraído pelo barulho


 

Desatenção e notas baixas na escola não são sinônimo de falta de inteligência. Às vezes o problema está na incapacidade de lidar com barulho, mas poucos médicos sabem disso.

 

 





Por mais que estudasse, a paulista Glaudys Garcia não tirava notas maiores que 4. A mãe e os professores se esforçavam para lhe ensinar coisas simples, mas ela não prestava atenção em nada. Era insegura, distraída, tinha medo de falar ao telefone e não se concentrava nos livros. Acabou se isolando dos colegas. Depois de passar por vários médicos e psicólogos, sua mãe tentou um último recurso: levou-a a uma fonoaudióloga. Em três meses Glaudys estava curada. Hoje ela tem 13 anos e no seu último boletim não há nenhuma nota menor do que 6.
Pode parecer estranho, mas o problema era de audição. A menina, assim como outras centenas de milhares de crianças, sofria de desordem do processamento auditivo central, ou DPAC, um distúrbio reconhecido há apenas quatro anos que raramente é diagnosticado pelos médicos, mas pode estar afetando milhões de brasileiros. Em geral, a disfunção surge da falta de estímulos sonoros durante a infância. As estruturas do cérebro que interpretam e hierarquizam os sons se desenvolvem nos treze primeiros anos. Até essa idade, as notas musicais, as palavras e os barulhos vão lentamente nos ensinando a lidar com a audição. Justamente nessa fase, Glaudys pode ter tido problemas no ouvido que atrapalharam a entrada de sons. Acabou formando mal o seu sistema auditivo. Todos os inconvenientes pelos quais passou eram conseqüência disso.
Um dos principais sintomas da DPAC é a dificuldade em manter a concentração num ambiente ruidoso. “Quem sofre desse mal não consegue prestar atenção em uma coisa só”, diz a neurologista Denise Menezes, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. “Na sala de aula, não separa o que a professora diz do latido de um cachorro do lado de fora”, acrescenta.
A DPAC é comum nas grandes cidades, onde o barulho excessivo prejudica a percepção de estímulos sonoros e a poluição provoca alergias que bloqueiam a orelha com muco. Crianças que têm inflamações freqüentes nos ouvidos também podem sofrer da desordem. O pior é que, por ser pouco conhecida, a DPAC costuma ser confundida com falta de inteligência ou com alguma deficiência mental. Mas, como mostra o caso de Glaudys, uma coisa não tem nada a ver com a outra.

O mundo é barulhento demais
Para uma vítima de DPAC, o mundo se transforma numa interminável confusão de barulhos desconexos e embaralhados de onde é quase impossível pescar os sons que realmente interessam (veja infográfico). O ar-condicionado vira um zunido infernal que se sobrepõe às vozes dos outros. O telefone torna-se uma máquina indecifrável, porque o cérebro não consegue decodificar a fala do interlocutor em meio à distorção normal de qualquer ligação. Também não é fácil entender a entonação das frases. Uma pergunta pode soar como uma afirmação e uma ironia acaba parecendo a frase mais séria do mundo. Os amigos acabam se afastando, já que ninguém gosta de conversar com alguém que não entende o que os outros dizem.
A fala também é prejudicada. “Os processos de linguagem se desenvolvem ao mesmo tempo que os de audição”, explica a fonoaudióloga Liliane Desgualdo, da Universidade Federal de São Paulo, pioneira no diagnóstico da DPAC no Brasil. “Uma criança pode não aprender a falar bem se não souber lidar com os sons.” A leitura acaba igualmente afetada. “Mesmo num lugar silencioso, uma pessoa com DPAC encontra problemas em entender um texto porque, para tanto, é necessário associar as palavras ao som que elas têm”, conta a psicopedagoga Ana Silvia Figueiral, de São Paulo. Todo esse esforço para realizar atividades corriqueiras é demais para o cérebro. Chega uma hora que ele não resiste e “desliga”. Por isso, as vítimas do problema são sempre muito distraídas.
Enfim, tudo se torna uma tarefa dura. O ouvido até percebe os sons, mas o cérebro, iludido pela falta de estímulos na infância, não sabe o que fazer com eles. Os médicos geralmente não percebem a disfunção porque ninguém desconfia que sintomas tão variados possam estar todos ligados à audição, menos ainda quando constatam em exames que o ouvido funciona normalmente. E, se o diagnóstico não é feito, não há como curar (veja quadro à direita).

Reaprendendo a escutar
A DPAC só foi reconhecida nos Estados Unidos em 1996, quando a Associação Americana de Fala, Linguagem e Audição chegou a um consenso sobre seus sintomas e suas formas de tratamento. Ainda se sabe pouco sobre as causas – a falta de estímulos sonoros está entre elas, mas suspeita-se também de razões genéticas e de má alimentação. “Uma coisa é certa: a desordem está relacionada à classe social”, afirma Liliane. Ela fez uma pesquisa em colégios de São Paulo e constatou que, nas escolas particulares, entre 15% e 20% das crianças têm DPAC em algum grau. Nas escolas públicas, onde há uma proporção bem maior de alunos pobres, o índice chega a alarmantes 70%. A razão disso é que crianças mais pobres geralmente ouvem menos música, têm mais inflamações no ouvido, menos acompanhamento de pediatras e psicólogos e se alimentam pior, o que também pode prejudicar a formação do sistema auditivo. Infelizmente, a imensa maioria delas carrega esse estorvo para a idade adulta sem ao menos desconfiar que a cura pode estar ao alcance da mão.

Para Saber Mais
Processamento Auditivo Central – Manual de Avaliação, Liliane Desgualdo Pereira e Eliane Schochat, Editora Lovise, São Paulo, 1997.

fpeixoto@abril.com.br

Algo mais

Se um bebê toma mamadeira deitado, existe a perigosa possibilidade de o leite ser acumulado atrás dos tímpanos, prejudicando o desenvolvimento das vias auditivas. Todo o cuidado é pouco, porque a capacidade de receber sons se forma até os 2 anos.

A culpa é do ouvido

Alergias na infância podem acabar prejudicando a atenção e o desempenho escolar.
Mal urbano

Nas grandes cidades é comum crianças terem alergia causada pela poluição. Dependendo do caso, o muco se acumula atrás dos tímpanos. Essa é uma das causas de problemas no processamento auditivo.

Lápis insuportável
Quem teve problemas de audição na infância pode ficar com os neurônios do tronco cerebral mal conectados. O resultado é que sons triviais, como o de um lápis que cai, tornam-se insuportáveis. Fica impossível concentrar-se numa prova.

Anos cruciais
Até os 7 anos, se desenvolve a parte auditiva do tronco cerebral, importante para localizar a origem dos sons e notar um barulho entre vários.

Bem formado
Aos 13 anos, um menino saudável completa o desenvolvimento auditivo. Os neurônios de suas estruturas já são muitos e estão bem interligados.

Tudo é difícil

Situações banais viram obstáculos para um deficente auditivo.
Sem graça

Por não notar sentidos escondidos, o deficiente auditivo é incapaz de entender muitas piadas.

Falso rebelde
Na escola, como ele não é capaz de ordenar os sons, fica difícil entender as aulas. O professor muitas vezes acha que o menino desafia sua autoridade, pois não consegue seguir atividades simples.

Onde está?
Vítimas do distúrbio não conseguem saber de onde vem um som. É que o cérebro não pode calcular sua origem, uma operação que exige o processamento simultâneo do que ouvem os dois ouvidos.

O que faço?
O menino deficiente não sabe o que fazer com a bola porque não consegue entender o que os colegas gritam. Ele se desconcentra nos momentos que exigem a hierarquização dos sons.

Como funciona o tratamento

Apesar da gravidade do problema, a DPAC tem cura.
Uma das principais responsáveis pela pesquisa da terapia para o distúrbio no Brasil, a fonoaudióloga Liliane Desgualdo conta que o tratamento consiste em dar às pessoas os sons que elas deveriam ter ouvido durante as fases de desenvolvimento do processamento auditivo. Mesmo após os 13 anos, as áreas auditivas do cérebro podem ser aperfeiçoadas, desde que sejam submetidas a uma grande quantidade de estímulos. Uma das atividades é fechar o paciente em uma cabine e submetê-lo a vários sons misturados, acustumando-o aos poucos a distinguir um do outro. A terapia dura de seis meses a um ano.
A equipe de Liliane, uma das poucas especializadas no assunto no país, tem conseguido curar 80% dos pacientes que chegam às suas mãos – dos 20% restantes, pouquíssimos não apresentam alguma melhora.
Além do tratamento fonoaudiológico, é importante que haja também um acompanhamento psicopedagógico. "Os maiores danos da DPAC são na auto-estima. Depois de curado, um sujeito pode ainda se achar incapaz", alerta Ana Silvia. Afinal, não é fácil para um ex-paciente se acostumar com a idéia de que é inteligente depois de ter passado décadas acreditando que não é.