quarta-feira, 13 de março de 2013

Dificuldades na Matemática

Noções necessárias para a aprendizagem da matemática

Correspondência: agrupar um objeto com outro (um lápis para cada aluno).
Classificação: agrupar os objetos em categorias de acordo com alguns critérios (cor, tamanho, formato).
Seriação: ordenar objetos de acordo com o tamanho (do menor para o maior) ou de acordo com o peso (mais pesado para o menos pesado).
Conservação: operação mental necessária para a construção do raciocínio lógico. Constituição de objeto permanente (a bola existe mesmo quando sai do campo de visão do bebê).
Reversibilidade: capacidade de fazer, desfazer e fazer novamente.
Proporcionalidade: compreensão das noções lógico-matemáticas, das frações e probabilidades.
Numeração: compreensão do sentido do número como sendo mais do que uma simples palavra, pois se refere a um todo, composto por unidades incluídas nele e guardando a relação de ordem com o restante dos números.
Valor posicional: unidade, dezena, centena, etc.
Compreender operações: é importante não somente saber as respostas das operações, mas compreendê-las de fato.
Resolução de problemas: é necessária a compreensão do texto, ordenar partes do problema e a compreensão lógica do enunciado e das competências do raciocínio abstrato que são utilizados para resolvê-lo.

Áreas de dificuldade que podem interferir no desempenho em matemática

Habilidades espaciais: as dificuldades em relações espaciais, distâncias, relações de tamanho e para formar sequências podem interferir em habilidades como: medir, estimar, resolver problemas e desenvolver conceitos geométricos.
Perseverança: são dificuldades para passar mentalmente de uma tarefa para outra,ou seja, atividade com vários passos para resolução.
Linguagem: são dificuldades para compreender termos como: primeiro, último, seguinte, maior que, menor que e outros.
Raciocínio abstrato: dificuldade na compreensão de conceitos abstratos, sendo necessária a utilização de material concreto para resolução.
Memória: dificuldade em relembrar informações que foram apresentadas.
Processo perceptivo: as dificuldades na área perceptiva acarretam problemas na leitura e escrita de quantidades, na realização de operações e em alguns casos na resolução de problemas.


Discalculia



ATIVIDADES
Estas atividades podem ser feitas com material concreto, onde a criança deverá apalpá-lo e distribuí-lo e em alguns casos pode ser utilizado em folha de atividade.

Este material pode ser: blocos lógicos; cartazes com figuras, sempre do tamanho adequado para ser trabalhado com a criança de acordo com sua faixa etária, objetos de uso diário como lápis de cor, tesoura, borracha, objetos que as crianças trazem de casa, elástico, prendedores de cabelo, carrinhos e outros.

Exercício de correspondência



Um para um/ material - blocos lógicos: fazer uma fileira de objetos iguais como quadrados e solicitar que a criança coloque um (1) círculo para cada quadrado.
Outra atividade que pode ser utilizada é colocar figuras de meninas (desenhos que podem ser facilmente encontrados na internet, impressos e plastificados para maior durabilidade) e solicitar que a criança distribua uma (1) flor (também figuras) para cada menina.
Conforme o desenvolvimento da habilidade da criança, a atividade pode se tornar mais complexa.
Utilize figura de 5 crianças e solicite à criança que distribua 10 balas entre elas.
Depois este trabalho pode ser feito com sobra.
Tem 5 crianças e 12 balas. Distribua entre elas. Sobra alguma? Quantas?
Em sala de aula o(a) professor(a) poderá facilmente utilizar este tipo de atividade.

Temos 5 crianças, quantos lápis vamos precisar?
Temos 3 tesouras para 5 crianças. Quantas faltarão?
Temos 20 alunos. Quantas folhas vão precisar?
E assim por diante, solicitando sempre que um ajudante entregue o material, fazendo revezamento entre os ajudantes.


Em casa não é diferente

Peça o auxilio da criança em algumas tarefas. Por exemplo: Solicite que a criança prepare a mesa para o almoço. São 4 pessoas que irão almoçar, quantos pratos precisaremos? Depois peça que coloque 1 (um) guardanapo para cada prato e depois os copos.




Outra atividade interessante é o agrupamento:
Faça fichas com números impressos e separe alguns blocos lógicos ou materiais diversos. Por exemplo:
5 quadrados
3 triângulos
2 círculos
7 retângulos

Solicite à criança que conte e coloque a ficha com o número correto ao lado de cada grupo.
Depois utilize o fator inverso. Coloque sobre a mesa algumas fichas com números e solicite à criança que coloque a quantidade correta de objetos.
Aproveite para observar se ela mistura os objetos no mesmo grupo ou se classifica como foi feito anteriormente (grupo de triângulo, círculos, etc).

Este material pode ser comprado pronto. São retângulos de madeira onde em uma extremidade há o número e na outra, que deverá ser encaixada, há o grupo de figuras.






OBS: A atividade acima pode ser usada, também, para treino dos numerais.






Exercícios de classificação



Entregar à criança vários objetos, com cores, formas e tamanhos variados e solicitar que separe em grupos, ou seja, classifique, mas não é necessário utilizar este termo, a não ser que a criança já tenha condições de entendê-lo.
Depois pergunte como ela separou e por que.
Em seguida peça à criança que pense em outra forma de separar (classificar), por exemplo: tamanho, textura e outros.


Em sala de aula pode ser feito o mesmo exercício em grupo, pedindo que cada grupo separe os objetos e os outros grupos deverão descobrir que propriedades dos objetos levaram em consideração para classificá-los.
Para crianças maiores pode utilizar cartões com alimentos, carros, animais, plantas e outros.


Exercícios de seriação.


Entregar á criança objeto de diferentes comprimentos e pedir que os coloque em ordem a partir do mais curto até o mais longo.
Podem ser utilizados copos de vários tamanhos, palitos, lápis e outros.


Uma ideia legal é pedir que a criança faça bolas de diversos tamanhos com massinha e organize da maior para a menor.


Em sala os alunos podem se organizar em fila por ordem de tamanho, do maior para o menor e do menor para o maior.


Valor posicional



Em sala de aula é comum utilizar o quadro de valor onde os alunos preenchem o campo unidade, dezena, centena etc, como podemos conferir abaixo.



Este tipo de atividade também pode ser utilizada, mas se for foi trabalhada de forma concreta antes, não terá resultado.



Existem alguns materiais bem interessantes que podem ser utilizado como: o ábaco e o material dourado.


Material dourado


O Material Dourado é um dos muitos materiais idealizados pela médica e educadora italiana Maria Montessori para o trabalho com matemática.
Embora especialmente elaborado para o trabalho com aritmética, a idealização deste material seguiu os mesmos princípios montessorianos para a criação de qualquer um dos seus materiais, a educação sensorial:
- desenvolver na criança a independência, confiança em si mesma, a concentração, a coordenação e a ordem;
- gerar e desenvolver experiências concretas estruturadas para conduzir, gradualmente, a abstrações cada vez maiores;
- fazer a criança, por ela mesma, perceber os possíveis erros que comete ao realizar uma determinada ação com o material;
- trabalhar com os sentidos da criança.

O material é composto por:
1 cubinho representa 1 unidade;
1 barra equivale a 10 cubinhos equivalem (1 dezena ou 10 unidades);
1 placa equivale a 10 barras ou 100 cubinhos (1 centena, 10 dezenas ou 100 unidades);
1 cubo equivale a 10 placas 1000 ou 100 barras ou 1000 cubinhos (1 unidade de milhar,10 centenas, 100 dezenas ou 1000 unidades).


Atividades



Explorando o Material Dourado


Objetivos:
- perceber as relações que existem entre as peças do material dourado;
- através das trocas, compreender que no Sistema de Numeração Decimal, 1 unidade da ordem imediatamente posterior corresponde a 10 unidades da ordem imediatamente anterior.
Metodologia:
Após permitir que os alunos, em grupos, brinquem livremente com o material dourado, o professor poderá sugerir as seguintes montagens:
- uma barra feita de cubinhos;
- uma placa feita de barras;
- uma placa feita de cubinhos;
- um bloco feito de barras;
- um bloco feito de placas.
O professor poderá estimular os alunos a chegarem a algumas conclusões perguntando, por exemplo:
- Quantos cubinhos eu preciso para formar uma barra?
- Quantas barras eu preciso para formar uma placa?
- Quantos cubinhos eu preciso para formar uma placa?
- Quantas barras eu preciso para formar um bloco?
- Quantas placas eu preciso para formar um bloco?
Nessa atividade, o professor também pode explorar conceitos geométricos, propondo desafios, como por exemplo:
- Quantos cubinhos você precisaria para montar um novo cubo?
- Que sólidos geométricos eu posso montar com 9 cubinhos?



Vamos fazer um trem?


Objetivo
- compreender os conceitos de sucessor e antecessor.
Metodologia
O professor pode pedir que os alunos façam um trem. O primeiro vagão do trem será formado por 1 cubinho, e os vagões seguintes por um cubinho a mais que o anterior. O último vagão será formado por 1 barra.
Quando as crianças terminarem de montar o trem o professor pode incentivá-las a desenhar o trem e registrar o código de cada vagão.
É importante que o professor considere as várias possibilidades de construção do trem e de registro encontradas pelos alunos.


Ábaco




O ábaco pode ser considerado como uma extensão do ato natural de contar nos dedos. Emprega um processo de cálculo com sistema decimal, atribuindo a cada haste um múltiplo de dez. Ele é utilizado ainda hoje para ensinar às crianças as operações de somar e subtrair.

Atividade
No caso do atendimento clínico é interessante que a psicopedagoga jogue junto, cada um com um ábaco; em sala de aula podem ser formados grupos.
O jogador deverá pegar os dois dados e jogá-los, conferindo o valor obtido. Este valor deverá ser representado no ábaco. Para representá-lo deverão ser colocadas argolas correspondentes ao valor obtido no primeiro pino da direita para a esquerda (que representa as unidades). Após deverá jogar os dados novamente.Quando forem acumuladas 10 argolas (pontos) no pino da unidade, o jogador deve retirar estas 10 argolas e trocá-las por 1 argola que será colocada no pino seguinte, representando 10 unidades ou 1 dezena. Nas rodadas seguintes, o jogador continua marcando os pontos, colocando argolas no primeiro pino da esquerda para a direita (casa das unidades), até que sejam acumuladas 10 argolas que devem ser trocadas por uma argola que será colocada no pino imediatamente posterior, o pino das dezenas.Vencerá quem colocar a primeira peça no terceiro pino, que representa as centenas.Com esta atividade inicial, é possível chamar a atenção para o fato do agrupamento dos valores, e que a mesma peça tem valor diferente de acordo com o pino que estiver ocupando.Possivelmente seja necessário realizar esta atividade mais de uma vez. É importante que os alunos possam registrá-la em seus cadernos, observando as estratégias e os pontos obtidos por cada um dos jogadores.


Escala Cuisenaire


Este é um material utilizado para a aprendizagem e treino das operações matemáticas, desde as mais simples até as mais complexas.O material Cuisenaire é constituído por uma série de barras de madeira, sem divisão em unidades e com tamanhos variando de uma até dez unidades. Cada tamanho corresponde a uma cor específica.


Atividades
Construindo um muro: Objetivo - Introduzir a operação de adição e a comutatividade. O professor pode apresentar uma barra e pedir que os alunos construam o resto do muro, usando sempre duas barras que juntas tenham o mesmo comprimento da peça inicial. As adições cujo total é dez ou maior que dez, assim como as adições com três ou mais parcelas podem ser introduzidas com essa atividade.



Construindo um muro especial: Objetivo-introduzir o conceito de multiplicação, enquanto soma de parcelas iguais. O professor pode pedir aos alunos que formem muros usando, por exemplo:


2 tijolos pretos



4 tijolos vermelhos



5 tijolos roxos



Após a realização das atividades concretamente, professor pode pedir que os alunos registrem como fizeram a construção do muro e discutir com seus alunos as formas de registro.


Adição1) Que peças eu posso juntar para formar a peça preta? Faça todas as combinações possíveis com duas peças, depois com três, depois...
Por exemplo:
(Uma verde clara com uma lilás)
2) Escreva uma sentença numérica para cada solução do item (1).
Por exemplo: (4 + 3 = 7)
3) Use apenas duas peças para “formar” a peça marrom. Encontre todas as soluções possíveis e escreva uma sentença matemática para cada solução.
4) Acabamos de criar a família da peça marrom. Crie a família para cada peça que seja maior ou igual a vermelha.
5) É possível criar a família do 11? Como seria?
6) Forme as famílias do 12, 13,... até o 20.

Multiplicação1) Duas peças vermelhas são do tamanho de que peça? Que relação tem este fato com a sentença: 2x2 = 4?
2) Três peças vermelhas são do tamanho de que peça? Que relação tem este fato com a sentença: 3x2 = 6?
3) Quatro peças vermelhas são do tamanho de que peças? E cinco?
4) Quanto dá 6x2? Que peças você usou?
5) Determine todos os produtos que podemos obter com as peças. Não deixe de registrá-los.
6) Quatro peças verdes claros são iguais a quantas peças lilás?


Tangram


Tangram é um quebra-cabeça originário da China e seu autor é desconhecido.
É formado por 05 triângulos, 01 paralelogramo e 01 quadrado (que juntos formam um novo quadrado).
Esse jogo é utilizado nas escolas para atrair o interesse das crianças pela Geometria e pela Matemática.
O quebra-cabeça consiste num primeiro momento, em permitir à criança a construção de formas geométricas, figuras humanas ou de animais, fazendo uso de todas as peças.
Num estágio mais avançado, pode ser utilizado em exercícios de cálculo da área de figuras; capacitar os alunos à definição de ângulos com o uso do transferidor, ou propor cálculo de perímetros e outros problemas matemáticos.
O Tangram pode ser feito a partir de madeira, cartolina, materiais plásticos, papel cartão ou E.V.A.


Artigo: A matemática e a experiência concreta
Autora: Cristiane Carminati Maricato
Livro:Dificuldades de aprendizagem,detecção e estratégias de ajuda.
Autoras:Ana Maria Salgado (Psicóloga)
Nora Espinosa Terán (Psicóloga)
http://educar.sc.usp.br/matematica/m2l2.htm

Psicopedagogia Clínica X Institucional: diferenças e semelhanças


Ouvimos muito falar sobre a Psicopedagogia, mas sempre fazemos relação com o atendimento clínico. A verdade é que os cursos de Psicopedagogia formam profissionais aptos para trabalhar tanto na área clínica como na institucional; no caso desta última, trata-se de instituições escolar, hospitalar e empresarial.
Existe alguma diferença na atuação do profissional clínico e institucional, ou é apenas uma questão de ambientes diferentes?Existe sim. O Psicopedagogo clínico trabalha em consultório atendendo crianças, jovens ou adultos, com dificuldades de aprendizagem, tendo a parceria de outros profissionais (Pediatra, Neuropediatra, Fonoaudiólogo, Psicólogo, Psicomotricista, dentre outros) para o caso de haver necessidade de encaminhamento. Neste caso, o profissional atua em uma linha terapêutica, onde diagnostica, desenvolve técnicas remediativas, orienta pais e professores de forma que seu trabalho seja integrado e não individual.
Já o Psicopedagogo institucional dá assistência aos professores e a outros profissionais da instituição escolar para melhoria das condições do processo de ensino-aprendizagem, assim como para prevenção dos problemas de aprendizagem. Utilizando de técnicas e métodos próprios, possibilita a intervenção Psicopedagógica visando à solução de problemas de aprendizagem em espaços institucionais. Juntamente com toda a equipe escolar procura construir um espaço adequado às condições de aprendizagem e consequentemente evitando comprometimentos.
Dentre suas atribuições destacam-se:

PARTICIPAÇÃO NA DINÂMICA DAS RELAÇÕES DA COMUNIDADE EDUCATIVA A FIM DE FAVORECER O PROCESSO DE INTEGRAÇÃO E TROCA.


ORIENTAÇÕES METODOLÓGICAS DE ACORDO COM AS CARACTERÍSTICAS DOS INDIVÍDUOS E GRUPOS.

REALIZAÇÃO DO PROCESSO DE ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL, VOCACIONAL E OCUPACIONAL, TANTO NA FORMA INDIVIDUAL QUANTO EM GRUPO.


CONTRIBUIÇÃO COM AS RELAÇÕES, VISANDO À MELHORIA DA QUALIDADE DAS RELAÇÕES INTER E INTRAPESSOAIS DOS INDIVÍDUOS DE TODA A COMUNIDADE ESCOLAR.


DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS SOCIO-EDUCATIVOS, A FIM DE RESGATAR VALORES E AUTOCONHECIMENTO.

DESENVOLVIMENTO DE AÇÕES PREVENTIVAS, DETECTANDO POSSÍVEIS PERTUBAÇÕES NO PROCESSO DE ENSINO- APRENDIZAGEM.

Existe alguma semelhança na atuação do profissional clínico e institucional?É claro que existe. Independentemente da área de atuação, o profissional precisa conhecer e compreender como se dá o processo de construção do conhecimento, assim como conhecer as dificuldades de aprendizagem e possíveis formas de intervenção.
Precisa saber até onde pode ajudar e o momento certo para fazer o encaminhamento. Seu trabalho nunca é individual; deve buscar constante aprimoramento.

Sinais de Dislexia nas diferentes fases da infância e escolarização



É importante destacar que a precocidade da identificação de alguns sinais de Dislexia são perceptíveis desde a pré-escola e, de acordo com SHAYWITZ (2006), o primeiro sinal de um problema de linguagem (e de leitura) pode ser o início tardio em começar a falar.

A seguir, serão elencadas algumas orientações, direcionadas especificamente aos educadores, com a finalidade de fornecer-lhes mais uma ferramenta, que possam auxiliá-los a identificar características que sugiram investigação específica, segundo SHAYWITZ (2006).

Na pré-escola observar as seguintes características e/ou dificuldades quando a criança começar a falar:

• Problemas de aprendizagem de rimas infantis comuns (quando o aluno não consegue decorar uma rima simples – “Um dois, feijão com arroz”);

• Falta de interesse pelas rimas;

• Palavras mal pronunciadas; persistência da chamada linguagem de bebê;

• Dificuldade em aprender e lembrar o nome das letras, cores e números;

• Deficiência em saber o nome das letras de seu próprio nome.

1º e 2º anos

• Deficiência em entender que as palavras podem ser divididas em partes (guarda-chuva), e que depois esta palavra pode ser dividida em duas palavras (com significados distintos) e por fim em sons;

• Incapacidade de aprender a associar letras e sons, incapaz de fazer a correspondência do grafema B ao som “B”;

• Erros de leitura que não demonstram conexão alguma dos sons com as letras (ler a palavra casa como pote);

• Incapacidade de ler palavras simples de uma só sílaba ou de pronunciar mesmo as palavras mais simples (pó, pá, meu, dói, ai, deu);

• Reclamações sobre o quanto é difícil ler, podendo sair do local ou esconder-se na hora da leitura;

• Histórico de problemas de leitura presentes em pais e irmãos.

Nesta fase, também devem ser observados indícios de pontos fortes, nos processos de pensamento, além daqueles de fala e leitura:

• Curiosidade;

• Grande imaginação;

• Capacidade de descobrir como as coisas acontecem;

• Forte envolvimento com idéias novas;

• Boa compreensão do ponto essencial das coisas;

• Boa compreensão de novos conceitos;

• Maturidade surpreendente;

• Grande vocabulário para sua faixa etária;

• Satisfação ao resolver quebra-cabeças e problemas;

• Talento para construção de modelos;

• Excelente compreensão de histórias que lhe são lidas ou contadas.


A partir do 3º ano:

Em relação à fala:

• Pronúncia incorreta de palavras longas, desconhecidas ou complicadas;

• Ruptura de palavras – omite ou confunde a ordem das partes de uma palavra (escola por secola, salada por sadala);

• Discurso não fluente, contendo pausas ou hesitações freqüentes;

• Uso de linguagem imprecisa, utilizando termos como coisa, negócio em vez de utilizar o nome correto do objeto (disnomia – incapacidade para recordar nomes próprios);

• Incapacidade de encontrar a palavra correta, confundindo palavras que tenham sonoridade semelhante, mas com sentido diverso (frito por grito);

• Necessidade de tempo maior para elaborar uma resposta oral ou incapacidade de dar uma resposta verbal de maneira rápida ao ser questionado;

• Dificuldade de lembrar partes isoladas de informação verbal (memória imediata) como datas, nomes, números de telefones, listas aleatórias.

Em relação à leitura:

• Progresso muito lento na aquisição das habilidades de leitura;

• Falta de estratégias para a leitura de palavras novas;

• Problemas ao ler palavras desconhecidas (novas ou não familiares) que devem ser pronunciadas em voz alta; tentativa de adivinhar a palavra ao lê-la; falhas na organização dos sons das palavras quando as pronuncia;

• Inabilidade para ler palavras funcionais, como por exemplo: em, na, e, aquela;

• Medo acentuado em ler em voz alta; quando o faz apresenta uma leitura contaminada por substituições, omissões, e palavras mal pronunciadas, além de um ritmo pouco fluente, lento, entrecortado e trabalhoso; não tem inflexão e parece a leitura de uma língua estrangeira;

• Desempenho desproporcionalmente fraco em testes de múltipla escolha, além de não conseguir finalizá-los no tempo estabelecido;

• Substituições de palavras de mesmo significado quando não consegue pronunciar, como: blusa por roupa;

• Dificuldade de leitura e conseqüente incompreensão dos enunciados dos exercícios de Matemática;

• Escrita (à mão) confusa, com ortografia desastrosa, mas grande facilidade ao utilizar o editor de textos, possuindo rapidez para digitar;

• Extrema dificuldade para aprender uma língua estrangeira;

• Falta de entusiasmo em relação à leitura; evita ler livros ou até mesmo uma frase; quando pode, faz escolha por textos que sejam pequenos, tenham letras maiores e muitas figuras (características esperadas para alunos de anos anteriores);

• Com o decorrer do tempo pode aumentar a precisão da leitura, porém ainda continua a ser sem fluência e trabalhosa;

• Auto-estima em declínio, presença de sofrimentos nem sempre visíveis;

• Histórico familiar com as mesmas características em relação à aprendizagem, leitura e ortografia.

Mesmo apresentando estas características relacionadas a problemas fonológicos, há indícios de habilidades nos processos de pensamento de alto nível:

• Excelentes habilidades de pensamento: contextualização, raciocínio, imaginação e abstração;

• Capacidade de entender “o todo”;

• Capacidade para ler e compreender palavras já aprendidas relativas a uma determinada área de interesse;

• Vocabulário de alto nível, em relação à sua idade e escolaridade, no que diz respeito às palavras que ouve;

• Compreensão acima da média, daquilo que lhe foi lido;

• Excelência em áreas que não dependam de leitura, como artes visuais, computação, ou em áreas que não exijam relacionar a fatos imediatos, filosofia, biologia, neurociências.

Ao trabalhar com alunos disléxicos (ou alunos portadores de outros distúrbios), deve-se sempre verificar aquilo que ele tem preservado em relação a suas habilidades específicas, valorizá-las e incentivá-los a desenvolvê-las muito mais. Desta forma é possível sair do quadro de insucesso ou fracasso escolar e resgatar sua auto-estima, fazendo-o acreditar e perceber que tem capacidade para outras tarefas, e não fixar-se somente numa inabilidade devido ao distúrbio.

SHAYWITZ, Sally. Entendendo a dislexia. Tradução: Vinicius Figueira. Porto Alegre: Artmed, 2006

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Apontamentos sobre Dislexia


AUTOMATISMOS NA LEITURA

Para poder compreender os textos, a criança disléxica deve ter um alto nível de automatismo na identificação das palavras escritas. É o desenvolvimento desta competência que lhe permitirá atingir um nível de compreensão escrita igual ao da sua compreensão oral, libertando-a do peso da descodificação lenta e laboriosa ou ao recurso de antecipações contextuais árduas. A dislexia manifesta-se precisamente na incapacidade de desenvolver este tipo de competência.



DISLEXIA E VELOCIDADE DE LEITURA

Os estudos realizados mostram que os treinos, relativos à descodificação, não melhoram ou fazem-no de forma pouco eficiente, a velocidade de leitura, que necessita de outro tipo de treino.

Segundo a literatura, o treino mais reconhecido como eficaz sobre a fluidez, ou seja, a rapidez da leitura, é a técnica de repetição de letras, sílabas, palavras e frases lidas. Esta consiste em repetir continuamente até se obter uma determinada velocidade. É aconselhável um treino de seis minutos diários, durante seis a nove meses.


DISLEXIA E CONSCIÊNCIA FONÉMICA


Actualmente, é sobejamente reconhecido que :

1. As crianças do pré-escolar e do 1º ano de escolaridade que apresentam um atraso na aquisição da consciência fonémica, são crianças susceptíveis de manifestarem dificuldades na leitura.
2. As crianças mais velhas e os adultos que revelam dificuldade em ler, apresentam uma lacuna ao nível da consciência fonémica.

3. Os métodos utilizados na reeducação da dislexia que dão ênfase à consciência fonémica reduzem, com sucesso, as dificuldades na leitura.




O TREINO DA CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA NO PRÉ-ESCOLAR PODERÁ FUNCIONAR COMO UMA PREVENÇÃO DA DISLEXIA?




Embora alguns autores desvalorizem a importância do desenvolvimento das capacidades do processamento fonológico da língua materna, um estudo realizado em 1999, na Alemanha, por Schneider, W., Ennemoser, M., Roth, H. e Küsport, P., concluiu a importância do treino nas crianças com baixa consciência fonológica.

O estudo foi realizado com crianças com QI dentro da média, às quais foi passado um pré-teste que avaliou o seu nível de consciência fonológica (classificado de fraco, médio ou elevado). Foi implementado um programa de treino, com a duração de seis meses, não tendo o grupo de controlo usufruído de qualquer treino. No final, foi realizado um pós-teste. Às crianças do grupo experimental também lhes foram passados testes de leitura e escrita, no final do 1º e 2ºanos de escolaridade. Para mais pormenores, consultar o “ journal of Learning Disabilities”, Vol. 32, nº5.
Neste estudo concluiu-se que:

1. As crianças que apresentavam fracas habilidades metalinguísticas (de risco), apresentaram uma grande melhoria no desenvolvimento da sua consciência fonológica;

2. As crianças de risco que participaram no treino fonológico continuaram a progredir, comparadas com as crianças de risco, mas não treinadas, até ao final do 2º ano de escolaridade;

3. É evidente e claro que o desenvolvimento da consciência fonológica não foi proveitoso para todas as crianças que participaram neste estudo. No entanto, a maioria beneficiou do treino, a curto e a médio prazo;

4. O potencial dos programas de desenvolvimento da consciência fonológica, no pré-escolar, não deve ser subestimado, já que se pode afirmar, com alguma certeza, que há redução da prevalência das Dificuldades de Aprendizagem/dislexia, nas crianças de risco;

5. Ainda que o treino tenha ajudado a maioria das crianças do grupo experimental, algumas, de cada grupo, não obtiveram qualquer benefício.

Na globalidade, foram as crianças de risco que mais usufruíram do treino da consciência fonológica, porque houve uma influência significativa no seu desempenho na leitura e na escrita.

As crianças de risco, treinadas, ultrapassaram consideravelmente os seus colegas, não treinados, ao nível do 1º ano de escolaridade, enquanto que a diferença entre os dois grupos diminuiu na leitura, no final do 2º ano, mas foi mais marcante a nível da ortografia.
Os resultados indicam, de forma clara, que o treino das crianças consideradas de risco, no pré-escolar, contribui para a diminuição das dificuldades de aprendizagem/dislexia, não a eliminando totalmente.


DE QUE FORMA RECONHECEMOS AS PALAVRAS ISOLADAS?


Existem dois processos na identificação das palavras lidas.

1. Leitura pela via lexical, ou seja, o reconhecimento global
Reconhecimento visual de toda da palavra

2. Leitura via fonológica, ou seja, mediação fonológica
Decomposição da palavra e conversão das letras em sons

Um leitor competente utiliza eficazmente as duas vias.


A título de exemplo apresentamos a seguinte frase:
Ontem, a mãe de Otrudokabé convidou-nos para lanchar em sua casa.
Quase todas as palavras desta frase são conhecidas. O leitor competente vai utilizar a via lexical para ler a mensagem, excepto a palavra Otrudokabé, para a qual vai utilizar a via fonológica. Com efeito, sendo uma palavra desconhecida, tem de a decompor.


A CONSCIENCIALIZAÇÃO FONÉMICA

Recentemente foi publicado o livro,”Como aprender a ler?”, com prefácio de José Morais e no artigo escrito por Roger Beard, refere a importância da consciência fonémica (CF).

O relatório do National Reading Panel (Plano Nacional de Leitura)” revelou que ensinar crianças a manipular os sons da linguagem ajuda-as a aprender a ler. Os efeitos do treino da CF perduram muito além do final do treino. O ensino da CF produziu efeitos positivos, quer na leitura de palavras quer na leitura de pseudopalavras. Isto indica que a CF ajuda as crianças a descodificar palavras que são visualmente novas para elas, tal como as ajuda a lembrarem-se de como ler palavras familiares.

O treino da CF foi eficaz no estímulo da compreensão de leitura, apesar de o impacto ser menor do que na leitura da palavra. …De acordo com o NRP, a CF avaliada no início no jardim-de-infância é uma das melhores formas de prever o nível de sucesso da criança na leitura, em paralelo com o conhecimento das letras.

Tem havido um extenso debate profissional (por vezes referido como “guerras da leitura”) sobre esta matéria. O debate tem-se focado na hierarquia desenvolvimental e na importância da descodificação versus competências de compreensão. Os compromissos actuais enfatizam:

· Um equilíbrio entre os dois tipos de competências numa fase precoce do ensino

· O reconhecimento de que ambos os tipos de competências interagem e podem compensar-se mutuamente durante a leitura (Adams, 1990; Stanovich, 2000)”.


DISLEXIA, QUE FUTURO?

A evolução das dificuldades dependerá de vários factores:
1. Tipo de dislexia/disortografia e da sua gravidade;
2. Diagnóstico precoce;
3. A regularidade da intervenção;
4. A colaboração da família com todos os intervenientes no percurso académico do aluno;
5. Os apoios necessários para manter a motivação, face ao insucesso escolar.

Nas dislexias leves a moderadas, as dificuldades reduzir-se-ão, não desaparecendo totalmente e não comprometerão a escolaridade nem o prosseguimento dos estudos secundários, ou mesmo universitários, apesar de persistir um handicap na escrita.

Nos casos de dislexia mais severa poderão ser propostas orientações escolares especializadas, assim como, orientações profissionais em função dos interesses dos alunos.
Podemos então concluir que o diagnóstico precoce, a regularidade do apoio e a atribuição de medidas pedagógicas adaptadas permitem, actualmente, à maioria dos disléxicos, seguir um currículo escolar normal, sem comprometer a sua inserção social e profissional.

fonte: http://dislexiapafid.blogspot.pt

domingo, 24 de fevereiro de 2013

EXERCÍCIOS MENTAIS – GINÁSTICA PARA O CÉREBRO !!

ginástica cerebral
Nossa capacidade intelectual é fruto de nossa carga genética, nossas influências ambientais durante a vida e nosso ritmo de vida.
“Vejo muito gente reclamando que seu cérebro não anda mais o mesmo, está desatento, esquecido, com redução da capacidade de raciocínio e da criatividade. A verdade é que o ritmo moderno de vida não propicia contexto adequado para o melhor rendimento cerebral”, ressalta o neurologista Leandro Teles (CRM  124.984)
Segundo o especialista os 2 principais erros que levam a queda do rendimento cerebral são:
1-   Sobrecarga de estímulos = pessoas que fazem várias coisas ao mesmo tempo, dormem menos do que deveriam, estão sempre correndo, tem nível elevado de stress, preocupações e ansiedade.
2-   Falta de treinamento cerebral = muitas pessoas acabem caindo na rotina e automatizando boa parte da atividade mental. O cérebro precisa de desafios, ser tirado da zona de conforto, criar soluções, testar hipóteses, errar, acertar, enfim, aprender durante toda a vida. Isso é conseguido no dia-a-dia buscando sempre atividades intelectuais novas ou mesmo fazendo coisas da rotina de um jeito criativo e diferente. Outro jeito de estimular o cérebro é com jogos e brincadeiras intelectuais, que cumprem de maneira divertida e lúdica, o papel de desafiar, testar e treinar algumas habilidades cerebrais importantes na composição do que chamamos inteligência.
Dr. Leandro Teles aborda alguns exercícios cerebrais simples, intrigantes e consagrados, explicitando as habilidades cognitivas envolvida na realização de cada um deles. Mãos à obra !! É hora de malhar os neurônios:
1-   TESTE DAS CORES
Nesse teste tente ler as cores em que as palavras estão escritas… e não o texto que está escrito.
É um teste de atenção, engajamento e inibição de respostas. O lado esquerdo do cérebro, predominante para linguagem, ao menos sinal de distração, tentará ler o texto. O lado direito, mais viso-espacial, tentará dizer as cores.  Boa Sorte !!
2-   TESTE DO RELÓGIO INVERTIDO
Esse é um difícil teste de adaptação visual. Abaixo temos um relógio invertido no plano horizontal. A imagem é como um relógio de parede disposto na frente de um espelho. O cérebro, tirado da sua zona de conforto, precisará re-inverter mentalmente a imagem para desvendar o horário correto. É um exercício visual e de estratégia. E então, que horas são ?

3-   TESTE DO TEXTO EMBARALHADO
Esse teste é mais fácil e mostra uma fascinante habilidade cerebral. O texto abaixo tem letras embaralhadas, no entanto, nosso cérebro consegue decifrá-lo com uma fluência quase normal. Isso, pois ele não lê letra por letra (como alguns podem pensar) ! Nosso cérebro lê palavras inteiras, quando não frases inteiras. Ele tem um poder de prever o que é escrito, tá um pouquinho na frente do texto e compreende o contexto gramatical que algo é escrito. Faça o teste e surpreenda-se.
4-   TESTE DE RASTREAMENTO
 Esse não é para qualquer um ! O objetivo é ler atentamente o texto abaixo e identificar quantas letras “F” aparecem. Mas não menospreze o exercício, não é tão fácil quanto parece. Nele o cérebro precisa inibir a leitura do todo, do contexto, da palavra e esforçar-se para perceber as letras. O que está escrito não importa, apenas procure e diga quantos “F´s” você lê abaixo (Gabarito logo abaixo) !!
….
Gabarito = Existes seis F´s escondidos nesse texto. Encontrou ? Se não achou volte ao texto e confira !!
5-   ENCONTRE O INTRUSO
Neste teste, a atenção é o fundamental! Em um “mar” de NOVES você precisará encontras DOIS números SEIS. Algumas pessoas mais detalhistas têm muita facilidade nesse exercícios, outros tendem a ver o todo e realmente penam para achar os intrusos.Vamos a luta!
6-   TEXTO COM NÚMEROS
Aqui mais um teste relativamente fácil e simples que mostra todo o poder de improvisação cerebral. Um texto que mescla letras e números e que, ainda sim, pode ser plenamente lido e compreendido. Leia e confira !!
7-   TESTE DO SOLETRAR INVERTIDO
Exercício de complexidade média que exige muita, mas muita concentração. É preciso lembrar a grafia da palavra, inverter a escrita e narrar as letras na sequência correta. Quanto maior a palavra mais difícil fica o exercício. Segue alguns exemplos de complexidade variável logo abaixo.
8-   CONTAS SERIADAS DE CABEÇA
Esse teste é bastante curioso. Faça a conta sequencial proposta abaixo, não use calculadora. Apenas some progressivamente os números e anote o resultado. Depois confira se você acertou com uma calculadora. O cérebro não pode bobear, são dados dinâmicos que ficam registrado apenas mentalmente. Parece fácil, não é? Vamos ver com você se sai então.

 



fonte:http://www.leandroteles.com.br/tag/cerebro/

A Galinha Pintadinha: os segredos por trás do fenômeno

Lápis e caneta na mão e vamos à receita da A Galinha Pintadinha. Ingredientes: uma galinha azul, pintadinha é claro; algumas cantigas de roda, universalmente conhecidas; alguns desenhos coloridos.  Misture tudo, coloque no youtube e nas prateleiras. Pronto!! É só esperar e colher os frutos dos 300 milhões de acessos, milhares de CD´s e DVD´s vendidos, casas de show lotadas, etc…
Parece bem simples, mas não é possível que seja só isso… Quem já viu o encontro entre essa mídia infantil e seu público alvo (crianças de 0 a 5 anos) deve ser ficado com a pulga atrás da orelha. Os pequeninos ficam fascinados, paralisados, mudam o comportamento e parecem estar hipnotizados. A música, os traços, as cores, não tem nada de realmente diferente e novo nisso. Qual serão então os ingredientes secretos dessa receita?
Segundo o neurologista Leandro Teles: “O verdadeiro pulo do gato, ou da galinha, é ter sido feita sob medida para o cérebro infantil. Cumpre perfeitamente duas missões: Primeira: chamar atenção da criança, tarefa essa não muito difícil, convenhamos. Segunda: sustentar essa atenção, por minutos e até horas, isso sim não é para qualquer um”.
Convidamos o especialista para comentar alguns aspectos sobre a percepção infantil e os detalhes técnicos dessa produção de grande sucesso:
Dividiremos a análise na parte visual e parte sonora.

Parte Visual

Criança pequenas são ávidas por estímulos visuais, adoram objetos coloridos e movimentos. Gostam do simples, traços diretos e grosseiros. As cores vivas devem apresentar contraste, cada objeto tem uma cor completamente diferente e destoa do resto, nada precisa combinar, precisa saltar aos olhos.  Os personagens são apresentados no centro da mídia, movimentam-se em bloco, são pouco articulados, de expressão estática, isso evita que a complexidade tire o foco da criança.
Ainda sobre os personagens, esses não são desenhados ao acaso. Independente se são ET´s, dinossauros, humanos ou animais, eles geralmente têm a cabeça desproporcionalmente grande em relação ao corpo, assim como olhos desproporcionalmente grandes em relação a cabeça. Outra boa sacada da percepção infantil. As crianças se afeiçoam precoce e intensamente a face, tendo os olhos como primeiro ponto de reconhecimento do outro. Os bebês mamam em posição apropriada para fitar os olhos da mãe, comportamento ausente em outros mamíferos. Os produtores abusam de faces e olhos, colocando rosto com expressões “humanas” em animais e mesmo em coisas inanimadas, como o Sol (quem não se lembra do solzinho dos Teletubbies com cara de bebê), a Lua, estrelas, coração, etc… “Existe uma região cerebral especializada apenas em percepção e reconhecimento de faces”, explica o neurologista.
Alguns padrões visuais regulares e ritmados surgem eventualmente, como traços radiais partindo do centro, arco-íris com oscilação, círculos concêntricos, etc…, mais uma jogada para garantir o canal de atenção sustentada.

Parte Sonora

A sonorização dos vídeos também é peculiar e nada aleatória. Apresentam-se canções de melodia forte, marcante, simples e principalmente repetitiva. A harmonia cíclica funciona como um pêndulo de hipnose. É muito facilmente aprendida e gruda no cérebro de crianças e mesmo de adultos. O timbre vocal é específico de canções infantis.

Junção entre imagem e som

aqui talvez o grande trunfo da produção. A canção e a animação são expostas sincronicamente. A animação pulsa conforme a música, os personagens oscilam no tempo da melodia. Para complementar tem até uma bolinha que pula ritmada sobre a letra da música, dando ainda mais balanço e integrando definitivamente som e vídeo. “Isso gera entradas paralelas e complementares tanto em regiões cerebrais auditivas, mais laterais, como em regiões visuais, posteriores, exigindo um engajamento cerebral para unificá-los”, atenta o especialista.
Como podemos ver, existem mais ingredientes secretos do que nossa superficial avaliação poderia imaginar, e deve haver muito mais. Mas para encerrar, será que a exposição intensa à Galinha Pintadinha pode fazer mal a nossas crianças?
“Realmente não vejo problema nenhum com esse tipo de exposição, acho até um estímulo interessante e uma oportunidade para integração social, atividade física e musicalização precoce” conclui o neurologista, mas resalta: “o problema nasce com uso inadequado, excessivo e sem integração com os pais, familiares ou outras crianças, entrando na rotina em detrimento de outras atividades mais apropriadas”.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Inclusão na sala de aula

Em primeiro lugar, a escola precisa adaptar-se para receber o aluno de inclusão, adaptar a turma e funcionários da escola. Ao professor, cabe conhecer a história do aluno, reconhecer o que ele sabe, qual a forma como aprende, conversar com a família tentando envolvê-la, criar um vínculo com a criança, pois a partir do envolvimento da família e o vínculo do professor com a criança, este terá mais chances de perceber suas necessidades , assim como as expectativas da família em relação à escola. Estar atento aos limites da criança para não cobrar demais, ou deixar de cobrar aquilo que ela tem potencial. É necessário considerar que, se o aluno ainda não aprendeu, pode aprender. Para que a tarefa não seja um fardo para o professor, este deve ter o apoio de toda a escola, pois a equipe deverá pensar em grupo na socialização, na adaptação curricular, na participação da família, nas parcerias com postos de saúde, médicos, escolas especiais, serviço de psicologia, fonoaudiologia, psicopedagogia...Os funcionários tem grande importância em alguns momentos, para auxiliar no atendimento à criança, por isso é essencial que conheçam o aluno.
Ao se pensar em projeto pedagógico, este deve ser orientado para a inclusão, e as aulas direcionadas ao potencial do aluno, visando desafios e avanços no conhecimento e na autonomia. Quando trabalhamos com atividades práticas, concretas e lúdicas, o aluno de inclusão será beneficiado, assim como todos os outros alunos da classe. Muitas vezes percebemos muita tensão por parte do professor que vai trabalhar diretamente com esta criança, mas se pararmos para pensar, todos os alunos, em algum momento precisam de uma atenção mais individual. O professor que sabe dar aulas, tem capacidade para ensinar e aprender com qualquer tipo de aluno, seja ele "normal" ou diferente do que pensamos ser o normal. É necessário ter maturidade suficiente para lidar com as frustrações, pois há possibilidades de insucesso, mas também coragem para enfrentar os medos, pois há maior probabilidade de grande sucesso. Tentar não enxergar este sujeito com sentimento de pena, pois, na minha opinião pessoal, ninguém deve ser visto com um sentimento tão pobre. Cada um tem suas particularidades, características, dificuldades. Isto não é exclusividade do aluno de inclusão. Todos temos nossos "defeitos"

 

Trabalhando as Diferenças em Sala de Aula

  • A Bela e a Fera
  • A casa amarela - Keyla Ferrari
  • A escola da tia Maristela - Márcia Honora
  • A família sol, lá si... - Márcia Honora
  • A felicidade das borboletas - Patrícia Secco
  • A gaivota que não podia ver - Paulo Dias Fernandes
  • A turma de Layla - Maria Rita
  • A voz da estrela - Cláudia Cotes
  • Bicho-carpinteiro - Cláudia Cotes
  • Crianças especiais (saúde e higiene)
  • Diogo e Olívia - Patrícia Secco
  • Dognaldo e sua nova situação - Márcia Honora
  • Felipe em busca de amizade - Márcia M. do Nascimento
  • João, preste atenção! - Patrícia Secco
  • Juliana prá lá de bacana - Cláudia Cotes
  • Júlia e seus amigos - Lia Crespo
  • Maria e companhia - Laís Corrêa de Araújo Ávila
  • Menino brinca com menina?
  • Minha família é colorida
  • Minha irmã é diferente - Fernanda Lopes de Almeida
  • Na minha escola todo mundo é igual
  • Nem todas as girafas são iguais - Márcia Honora
  • Ninguém é igual à você - Andréia F.
  • O Canto de Bento - Márcia Honora
  • O Charme de Tuca - Márcia Honora
  • O grande dia - Patrícia Secco
  • O menino Genial - Keyla Ferrari
  • O patinho feio
  • O presente de Luísa - Márcia M. do Nascimento
  • O problema da centopéia Zilá - Márcia Honora
  • O sonho de Arthur - Márcia M. do Nascimento
  • O Tom é gorducho - Márcia Macedo
  • Os jogos parapanamericanos (jogos parapan. para crianças)
  • Pe - O patinho diferente - Regina Coeli Rennó
  • Por que Heloísa? - Cristiana Soares
  • Rapunzel surda - Lodenir Karnopp
  • Sofia na escola - Márcia M. do Nascimento
  • Superando o preconceito (jogos parapanamericanos para crianças)
  • Tico - O coelhinho com as orelhas caídas
  • Tudo bem ser diferente - Todd Parr
  • Uma amiga diferente - Márcia Honora
  • Uma formiga especial - Márcia Honora
  • Uma joaninha diferente - Regina Célia de Melo
  • Uma tartaruga a mil por hora - Márcia Honora