segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Os Processos Mentais básicos para Aprendizagem da Matemática


Introdução

O conhecimento lógico matemático é um processo construtivo, acontece no interior do indivíduo, através da interação com o meio ambiente, agindo sobre os objetos, e por suas próprias experiências. A construção desse conhecimento depende de situações que permitam á criança pensar sobre coisas que sejam significativas para ela, que pertençam ao seu contexto. O número é uma relação criada mentalmente por cada um e envolve o desenvolvimento de processos entre eles estão correspondência, comparação, classificação, sequência, seriação, inclusão, conservação.


 Correspondência

A ideia de correspondência envolve a criança nos mais variados contextos. Em muitos momentos a criança faz correspondências tais como: para cada dedo, um anel; a cada caixa a sua tampa; a cada aluno uma carteira (correspondências um a um), existem também correspondências de vários a um ou de um a vários, tais como: uma criança corresponde vários irmãos ou várias crianças a uma mãe.
Podemos elaborar atividades que solicitem, por exemplo, a correspondência de uma quantidade a um numeral, a cada posição um numeral e assim por diante.
Quando a criança brinca de faz de conta e arruma a mesa colocando uma colher para cada prato, está estabelece uma relação e descobre a estrutura de correspondência. Através de atividades que envolvem correspondência, a criança pode vir a perceber a equivalência de conjuntos que tem a mesma quantidade de componentes.
A correspondência é um processo necessário para a construção do conceito de número e das operações. Quando a criança mostra dificuldades na aprendizagem da matemática, pode ser pelo fato de não ter compreendido o processo de correspondência na sua totalidade.

Atividades Propostas

1- Atividade: Pedir à criança que escolha uma mochila para cada menino e que nomeie cada menino, verificando se ela escolhe nomes diferentes, fazendo a correspondência.

2 - As crianças podem ser divididas em dois grupos: um fica com os cartões dos animais e o outro com as dos filhotes. O primeiro grupo mostra a figura e o segundo tem que achar os filhotes. Pode ser realizada em duplas.

- Pedir para a criança apontar, um a um, os cartões que recebeu, identificando as representações como “leve ou pesado”, conforme o caso.

4 - (semelhante ao jogo do mico). Separar as crianças em dois grupos e distribuir as fichas entre elas. Cada grupo deve tentar formar pares com as fichas que recebeu e mostrar ao outro; esses pares de fichas são retirados. A atividade continua com uma criança do grupo, retirando, sem ver, uma ficha do outro grupo. Se este tiver o par, essas duas fichas são retiradas e será a vez de uma outra criança do outro grupo retirar uma ficha. E assim, por diante, até o final.

Comparação

Para chegar ao conceito de número, é importante que as crianças quantifiquem e comparem conjuntos.
Ao pedir à uma criança que coloque em rodem uma quantidade de bastões de tamanhos diferentes, pretendemos que ela faça um arranjo linear onde cada objeto da serie é maior do que o objeto colocado antes, ao mesmo tempo é menor do que o objeto que o segue.
As crianças, por volta de cinco anos, muitas vezes apresentam ausência de seriação, ou seja, ao pedir para que arrumem oito palitos de comprimentos diferentes numa ordem crescente ou decrescente, elas não terão um bom desempenho. Poderão formar pares isolados de objetos com base na comparação ou até completar uma serie de três elementos. Por volta de sete anos, as crianças podem quase sistematicamente arrumar vários objetos localizando de início o menor e o maior objeto.
Quando conta objetos a criança deverá considerá-los numa certa ordem de modo que tenha certeza de que contou cada um uma só vez. Algumas vezes, ordenarão mentalmente os objetos sem arrumá-los.
Ao propor situações de desafio, com objetivo de que a criança adquira a noção de ordem no seu mundo físico, pretendemos ajudá-la a perceber a ordem no campo dos números. Ela perceberá que cada elemento da serie de contagem é um a mais que o precedente e um a menos que o antecedente.


Atividades Propostas
1-                 Organizar a sala em quatro grupos e entregar a cada aluno uma caixa propondo que empilhem formando uma torre. Na sequência pedir que os grupos montem torres a partir do número de luminária da sala, de janelas, fileiras, registrando cada proposta em uma folha associando-as a símbolos próprios e numerais.
2-                  Entregar à cada aluno uma folha contendo diversos nomes da sala, propor que recortem os nomes colando


3 – Pinte as formas grandes e circule as formas pequenas









                                                           




Classificação 

É o ato de agrupar objetos de acordo com suas semelhanças, percebendo-se as diferenças existentes entre eles.
Na classificação é importante que o critério seja consistente, numa mesma classificação todas as peças devem manter uma mesma relação entre si, exemplo: numa discoteca, nas prateleiras de discos clássicos pode-se introduzir um disco de Chopin que não alterará a composição do agrupamento, pois são discos equivalentes; mas não pode-se colocar nestas, discos de rock  pois estaria mudando o critério.
As classes pressupõem uma coordenação entre partes e o todo evidenciando as subclasses que envolvem o conceito de alguns e todos, havendo assim uma relação hierárquica fundamentada pela reversibilidade, habilidade de realizar mentalmente ações propostas simultaneamente, como cortar o todo em duas partes e reunir partes num todo.

Etapas do desenvolvimento da classificação na criança
Classificação Figural ( por volta dos 3, 4 anos)
Inicialmente as crianças agrupam por conveniência ou por associação. Por exemplo: a criança poderá colocar um triângulo por cima d um quadrado dizendo que essas formas lembram uma casa, ou num conjunto de pratos e garfos, agrupar cada garfo em cima de um prato.
Nesse processo também junta os objetos semelhantes como se fosse classificar, mas depois perde o critério e começa a brincar, como ao montar um triângulo com figuras geométricas coloca junto as da mesma cor, denominando como um campo de futebol, ou agrupa os da mesma cor, os que considera feios ou bonitos.

Classificação não figural ( aproximadamente  a partir de 5 anos)
À medida que as crianças se desenvolvem deixam de fazer coleções figurais para usar critérios mais coerentes.
Começa a perceber aspectos ligados às características dos objetos, suas semelhanças e diferenças.
- Arrumações em fila ou em trem - A criança se apoia nas características dos objetos como cor, forma, tamanho. Mas não mantém o mesmo critério, em geral, se fixa numa sequência de objetos que mantém relações por aproximações, por  exemplo, começa a alinhar cinco retângulos, dos quais o quinto é amarelo, seguido de dois triângulos da mesma cor, seguidos de quatro formas pequenas, sendo a primeira delas um triângulo. Essa alteração demonstra claramente as dificuldades de coordenação entre as relações de semelhança e as ligações da parte com o todo.
- Arrumações por montes – considera, mas características do objeto, mantendo um mesmo critério para todo agrupamento e outro para outro agrupamento. Por exemplo, botões de cores diferentes e com diferentes quantidades de furos.
- montes com critérios uniformes para todos os componentes: a criança separa por cor, forma ou tamanho.
- Divisão em subclasses: Como exemplo pode-se citar que existe a classe (flores) e subclasses (tipos de flores). Ao mostrar para a criança que existem oito flores, sendo seis rosas e dois cravos, responderá que há mais rosas, pois não percebe que as rosas são rosa e flores ao mesmo tempo.

Classificação lógica
A principal característica desta etapa é a capacidade de inclusão, mesmo dividido em partes ( cravos rosas), a criança consegue manter o todo(flores), permitindo assim a percepção de que o conjunto de rosas faz parte da classe de flores.
Nesse período o pensamento é mais flexível e lógico, consegue fazer relação de reciprocidade (se a laranja é maior que a uva, a uva é menor do que a laranja), e transitividade ( se a laranja é maior do que a maçã, e a maçã é maior do que a uva, então a  laranja é maior do que a uva).
A criança poderá então compreender que um objeto ao mesmo tempo é maior do que um pode ser menor do que outro, dependendo das relações estabelecidas.



Atividades Propostas
            1 - O aluno receberá uma folha de sulfite com vários desenhos de objetos, é proposto para o aluno identificar objetos que formam pares, ao identificar o aluno terá que pintar os objetos da mesma cor.
               2 - Mostrar uma cesta de frutas e legumes pedindo que agrupe as frutas por tamanho.

3 – Recorte os botões e cole agrupamentos que apresentem semelhanças.





Sequencia

Pode ser definida como a sucessão de elementos que se faz de forma regular e linear, mantendo sempre a mesma relação com os “vizinhos”, formando um padrão.
Este processo exige que a criança estabeleça uma análise das relações existentes entre os objetos, que em última instância está muito relacionado com a noção que tem do espaço, e das relações espaciais de si com os objetos e dos objetos entre si.
A sequência numérica é composta por números reais dispostos em uma ordem pré-estabelecida podendo ser finita ou infinita.


Atividades Propostas
1 - Formação de filas: Serie os alunos do menor para o maior  vice versa, coloque as meninas em ordem crescente e os meninos em ordem decrescente; aproveite para contar e comparar os dois grupos formados. Na sequência forme um fila com ordem crescente ou decrescente, excluindo alguns alunos, peça aos alunos excluídos descubram os lugares que correspondam na fila.
2 - Forme um círculo como os alunos e no centro disponha na sequencia uma tampinha, um palito, uma caixa de fósforos, repetindo a sequência. Peça que os alunos observem os arranjos para descobrir o “segredo”, após a descoberta proponha que elas criem suas próprias sequências e que as reproduzam desenhando em uma folha.

3 - Os alunos devem preencher os quadradinhos da amarelinha em sequência numérica com canetinha e pintar os quadradinhos impares e pares das mesmas cores.





Seriação

Seriar é realizar arranjos com um conjunto de objetos, de modo que eles mantenham com seus vizinhos uma relação de diferença. A comparação implica em se estabelecer sempre uma relação dos elementos tendo-se como base um atributo específico e o arranjo é sempre linear, para que se possam determinar os vizinhos.
Utilizará critérios como mesmo atributo, os vizinhos devem estar relacionados através de diferenças em um mesmo atributo, por exemplo, diferenciação de peso, tamanho, tonalidade, altura; origem, ter um ponto de partida como primeiro elemento; direção, ter um sentido crescente ou decrescente.

Percepção de diferenças
A seriação começa quando surge a consciência das diferenças. A criança arruma os objetos totalmente ao acaso e não leva em conta a diferença, começa a perceber essas diferenças ao comparar os elementos, consegue arrumar dois a três elementos ordenadamente, mas não mantém o mesmo critério para toda série.

Seriação por ensaio-erro
A criança mantém a linha de base e vai ajustando, sequenciando as diferenças, verificando sempre as extremidades, coloca todos os objetos do conjunto como omesmo critério de arrumação.

Seriação interiorizada concreta
Além de seriar, intercalar peças na serie, com apoio visual para comparar com a peça antecedente e subsequente.



Atividades de Seriação
1 - Propor aos alunos a separação de cabos de vassouras por tamanhos, sendo colocados nas determinadas caixas: na vermelha os cabos maiores, na azul os cabos menores.
2 – Dispor diversas caixas de tamanhos variados e pedir para que organizem por tamanho em ordem crescente.

            3 – Entregar uma folha para cada aluno contendo a atividade abaixo.




Inclusão

 É o ato de fazer abranger um conjunto por outro.
 Para ser capaz de quantificar objetos é necessário que a criança coloque-os em uma relação de inclusão, ou seja, que consiga incluir mentalmente “um” em “dois”, “dois” em “três”... É preciso compreender que o número quatro, por exemplo, não é um nome que representa apenas o 4° objeto de uma coleção, mas que dentro do número quatro, temos o três, o dois e o um. Esta relação é fundamental para realizar operações, é fundamental compreender que dentro de uma determinada quantidade encontram-se outras.
Podemos usar como exemplos; frutas: laranjas e bananas; materiais de higiene pessoal: sabonete, escova de dente, pasta dental.
            Inclusão hierárquicaé a relação que permite à criança a quantificação dos objetos como um grupo, ou seja, ao lhe pedirmos que nos mostre 8 objetos, arranjados numa relação ordenada, ela nos apontará para o grupo todo e não apenas para o último.
Entre 7 e 8 anos de idade, o número de relações que a criança estabelece permite a mobilidade do pensamento de forma a torná-lo reversível.

Atividades Propostas
- Apresentar todos os cubos e pedir que sejam encaixados uns dentro dos outros, por ordem de tamanho, de forma que todos estejam dentro do maior deles. A cada inclusão, observar que o maior contém os menores.

2- Apresentar todas as cartelas às crianças, perguntando a que se refere cada desenho. Em seguida, as crianças devem ordenar os desenhos, justificando a seriação escolhida. Se não surgir a inclusão (o menor cabendo dentro do maior), o professor pode induzir as crianças a fazê-la (começando pelo “menor”), perguntando: “A cama fica onde?” ou “A cama está dentro do quê? E a casa?”.

3 - Dar todas as tampas à criança e indagar:
• Há mais tampas de cor verde ou de cor amarela?
• Há mais tampas de plástico ou tampas de cor verde?
• Há mais tampas de plástico ou tampas de cor amarela?
As crianças deverão comparar e classificar as tampas por cor utilizando-se da inclusão
e da contagem; as que não souberem contar poderão se utilizar da correspondência
um a um para responder à primeira pergunta.



4 - Quantificar objetos variados, nas mais diversas situações.
• Rodas de contagem que estimulem a busca de estratégias que facilitem a identificação de quantidades.
• Em uma atividade com palitos de sorvete, solicitar que uma criança entregue o mesmo número de palitos para seus colegas.
• Agrupar objetos em quantidades diferenciadas de um a nove, ou até o número que foi trabalhado. Após confeccionar cartões com os números dos objetos, solicitar a um sinal que as crianças se agrupem nos grupos compostos pela quantidade solicitada.
• Solicitar a uma criança que distribua a mesma quantidade de algum objeto para todos do seu grupo, estabelecendo uma correspondência entre eles.
• Registro do número de certos objetos presentes na sala de aula.
• Na hora do lanche, estimular para que efetuem contagem de n° de crianças e cadeiras para sentar, pratos, talheres e canecas necessárias.
• Promover em pequenos grupos a seguinte atividade: de olhos fechados o aluno deve retirar de uma caixa e de uma só vez, a quantidade de tampinhas mais próxima de dez que conseguir, as quantidades serão registradas e comparadas para ver quem mais se aproximou da quantidade.
Esta atividade pode ser adaptada solicitando-se qualquer quantidade.
• Solicitar que os alunos contem o número de meninos e meninas que existem na sala.


Conservação

É o ato de perceber que a quantidade não depende da arrumação, forma ou posição. A invariância numérica (conservação) só é atingida quando a criança é capaz de conceber que uma quantidade permanece a mesma, seja qual for a disposição dos elementos que a compõem. É saber que o número de um conjunto de objetos pode apenas ser mudado por adição ou subtração.
A elaboração do conceito de número efetua-se, na criança, em estreita relação com a conservação numérica e com as operações lógicas de classificação (em sua forma de classe de inclusão) e a seriação (em sua forma de relações assimétricas).
Elas interpõem-se e integram-se, num vai e vem contínuo, é esse entremeado de diferentes noções que se dá a construção do conceito de número. À medida que as experiências vão se acumulando e o pensamento vai se desenvolvendo, evolui também o raciocínio lógico-matemático.

Atividades de Conservação

1- Cada aluno recebe seis palitos e deve montar livremente as figuras que quiser, utilizando todos os palitos. Em seguida, o professor mostra a todos os alunos as diferentes figuras construídas com seis palitos, e pergunta: “Todas as figuras montadas têm a mesma quantidade de palito ou há figura que tem mais palitos?”.

2 - Oito bolas devem estar em um local visível. As crianças são distribuídas em dois grupos, e uma criança de cada vez pega uma bola: as do 1° grupo devem pegar só as bolas pequenas e as do 2° grupo as bolas grandes. Quando todas as bolas forem transportadas, perguntar: “Qual grupo tem mais bolas, ou os dois têm a mesma quantidade?”. Em seguida, trocam-se as bolas de grupo e repete-se a pergunta. Se as crianças não derem respostas de conservação, ou seja, se elas disserem que quem tem as bolas maiores tem mais bolas, pergunte o que se pode fazer para que todos tenham a mesma quantidade.

3 - Distribuir cinco botões grandes para uma ou mais crianças (grupo A) e, para outras crianças (grupo B), os cinco pequenos; essa distribuição deve ser feita dando um botão por vez e alternadamente aos grupos, para que todas possam perceber que ambos receberam quantidades iguais. As crianças devem arrumar os cinco botões grandes da maneira que desejarem; em seguida, devem os cinco botões pequenos, da mesma forma que os grandes foram arrumados. Então o professor propõe a questão: “Qual arrumação tem mais botões, ou as duas têm a mesma quantidade?”.

- Organizar as crianças em grupos e distribuir para cada um deles a mesma quantidade de objetos (o número de objetos deve ser suficiente para dificultar a contagem pelas crianças). Essa distribuição deve-ser dar de modo que fique bem claro, a todas as crianças, que os grupos receberam quantidades iguais de objetos.
Cada grupo deve arrumar os objetos conforme desejar, o que certamente produzirá diferentes configurações. O professor deve perguntar a todos qual das arrumações tem mais objetos ou se todas têm a mesma quantidade. As respostas devem ser justificadas pelas crianças.



Fonte: http://pitagorasartedamatematica.blogspot.com.br/p/os-sete-processos-mentais-basicos-para.html

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

O que falta é afeto


Psicóloga diz que educar dá trabalho e que os pais fazem mal aos filhos com punições sem lógica e às vezes até cruéis.



Jair da Rocha
"Tem-se a impressão de que os pais são tolerantes demais com os filhos. Descobri o contrário"


A maioria dos pais se martiriza com questionamentos intermináveis sobre como criar os filhos. Por mais que evitem, estão sempre esquadrinhando seu comportamento. Estariam sendo muito duros? Muito permissivos? Muito autoritários? Como agir em determinada situação? Para a psicóloga Lidia Weber, de 46 anos, o tema é uma fonte inesgotável de indagações das quais já se consolidaram, felizmente, algumas certezas. Autora de seis livros sobre relações intrafamiliares, coordenadora de um programa de dinâmica familiar na Universidade Federal do Paraná, ela costuma aconselhar seus alunos e os pais que a procuram da seguinte maneira: "Siga sua consciência, obedeça a seus valores". É essa a maneira de educar. Para ela, o sucesso na criação passa pelo fortalecimento da auto-estima das crianças. E isso se faz, ao contrário do que diz o senso comum, mais com elogios do que com punições. "Muitos pais não sabem elogiar. Têm vergonha", diz. Casada, mãe de três filhos entre 10 e 16 anos, Lidia – que nunca apanhou dos pais e nunca bateu nos filhos – é uma entusiasta do castigo e uma inimiga da palmada, que ela considera dispensável mesmo nas situações de limites.
Veja – Por que os pais parecem tão assustados com a tarefa de educar os filhos?
Lidia – Acho que há duas razões principais. Primeiro, pela realidade mesmo. Somos todo o tempo bombardeados com notícias sobre violência. Isso dá muito medo. Outra razão eu acho que se deve ao que chamo de quebra da solidariedade entre os adultos. Antes, tínhamos a sensação – e era verdade – de que poderíamos contar com outras pessoas para cuidar do bem-estar de nossos filhos. Os vizinhos, os parentes, os professores faziam parte dessa rede de segurança. Hoje isso não existe mais. É cada um por si. O perigo pode morar ao lado. Esse medo do "outro" é a expressão mais tangível da paranóia dos pais.

Veja – Qual a melhor maneira de os pais lidarem com esses medos?
Lidia – Acho fundamental a retomada da rede de segurança. Contar com os avós, com amigos próximos. Voltar a aprender a confiar. Isso conforta e dá segurança. Os pais também têm de se focar. Gasta-se muito tempo com preocupações menores. Se o filho não comeu verdura, se o outro deixou os tênis espalhados pelo quarto, se a filha saiu sem casaco, e por aí vai. Isso não quer dizer nada. Só provoca angústia e insegurança nos pais e nos filhos. Antes de fazer tantas ressalvas, questione-se: "Isso realmente é crucial?" ou "Que lição meu filho vai levar disso?". Às vezes, a obsessão com a segurança pode ser mais danosa que os próprios riscos.

Veja – Livros de auto-ajuda ou de como criar os filhos vendem como nunca. Eles são úteis?
Lidia – Depende. A maioria dos pais ignora a fase de desenvolvimento dos filhos. Se soubessem como são os comportamentos típicos de cada idade, educar ficaria mais fácil. Por exemplo: é normal um menino de 6 anos querer comer com a mão. É normal chegar à adolescência e, durante uma briga, dizer que odeia os pais. Ciente disso, fica mais fácil gerenciar, lidar com essas questões. Ao contrário, tudo pode se tornar um drama. A mãe pensa: "Ah, vou deixar minha filha fazer o que ela quiser, porque eu não agüento ouvir isso". Os livros são úteis para isso. Para informar como é uma criança, um adolescente. Mas livros que falam como fazer seu filho ficar rico ou virar um gênio não podem ser levados a sério.

Veja – Por quê?
Lidia – Porque não existe um padrão, um modelo em que se possa enquadrar todo mundo. Esses livros servem para aliviar a culpa de alguns pais. Eles acham que lendo um manual vão aprender a ser perfeitos. Os pais sentem muita culpa porque passam muito tempo longe dos filhos. Mas é uma realidade hoje. É preciso ter noção de que seu filho não vai virar um desajustado porque não está 24 horas a seu lado. Nem ele nem os amiguinhos ficam tanto com os pais. Dito assim, parece óbvio, mas os pais devem educar os filhos de acordo com seus valores pessoais, não pelo valor dos autores de livros. Têm de entender que só eles são capazes de tomar decisões e passar valores para suas crianças.

Veja – A senhora costuma dizer que não há pais permissivos, há pais negligentes e com pouco afeto. Por quê?
Lidia – Fizemos várias pesquisas na Universidade Federal do Paraná com cerca de 1 500 crianças de escolas públicas e particulares. Hoje, tem-se a impressão de que a maioria dos pais é tolerante demais. Descobrimos o contrário. Há muito pouco afeto em jogo.

Veja – Qual o maior dilema dos pais?
Lidia – Sem dúvida, é a questão de bater ou não bater. Porque a maioria apanhou, e quem apanhou acha normal bater. A outra dificuldade é sobre questões cotidianas, que a gente chama de supervisão inadequada, excessiva. Os pais estão estressados, têm pouca paciência. É muito mais eficiente dizer: "Olhe, eu vou chamar você uma vez para almoçar. Se não vier agora, só vai comer na próxima refeição".

Veja – A senhora coloca a palmadinha de leve no mesmo patamar de uma surra? Não é exagero?
Lidia – O princípio é o mesmo: eu uso o poder e a força para obrigar você a parar de fazer alguma coisa. Em 99% dos casos a palmada é usada quando os pais estão com raiva. Isso aumenta o risco de a punição se transformar em maus-tratos porque você está descontrolado. O único resultado positivo da palmada é que a criança pára de perturbar na hora. E esse é um dos aspectos perversos do tapa: por ter efeito imediato, os pais o utilizam com muito mais facilidade e freqüência. Há um estudo da professora Elizabeth Gershoff, da Universidade Columbia, provando o mal da palmada a longo prazo. Há dez aspectos negativos observados para cada um positivo. Mulheres que apanharam dos pais na infância costumam encarar com mais naturalidade a violência do marido, por exemplo. Há uma ligação estreita com o aumento de agressividade, de comportamento delinqüente e anti-social.

Veja – Estamos falando de uma palmadinha...
Lidia – Ainda assim. No estudo de Gershoff é feita essa diferença. São várias análises que levam em conta o que se chama de punição normativa e o abuso físico de fato. Então, alguém pode dizer: "Eu apanhei dos meus pais e não sou anti-social". Tudo bem. Mas isso não prova muita coisa. A pesquisa é mais esclarecedora nesses casos porque reflete o que ocorre com a maioria das pessoas. É claro que, se você leva um tapinha mas é estimulado em casa a ter uma boa auto-estima, não vai virar um marginal. Se os pais forem muito competentes e usam uma palmadinha de vez em quando, isso não causa prejuízo. Mas eu pergunto: se são tão competentes, por que precisam bater?

Veja – E o castigo?
Lidia – O castigo é muito eficiente. A retirada de privilégios é uma conseqüência lógica: "Você chegou às 11 da noite, era para chegar às 10, então da próxima vez vai chegar às 9". O filho precisa de regras, pois a vida adulta é cheia delas. Com adolescente, saber negociar também é vital. Outro dia, minha filha foi advertida na escola porque não fez a tarefa. Ela mesma veio até mim e disse: "Então, vamos ver o castigo que eu posso ter. Vai ter a festa da fulana, então eu não vou à festa". Causa e conseqüência. Isso vem de berço. É uma doutrina que se ensina desde pequeno.

Veja – Qual o grande erro dos pais na hora de castigar?
Lidia – É quando não conseguem estabelecer regras coerentes de acordo com a idade, e consistentes de acordo com sua conduta. Você não pode dar um castigo conforme o seu humor. Por exemplo, aquela mãe que, depois que uma criança aprontou algo, começa a berrar: "Vai ficar um mês sem usar a internet!" ou "Vai ficar uma semana sem sair de casa!". É quase impossível manter isso. Então, só imponha castigos que você pode cumprir. Do contrário, seu filho vai perder a confiança e o respeito por você.

Veja – Há técnicas eficientes de castigo para cada idade?
Lidia – Com crianças menores, há técnicas eficientes como otime out. É o famoso ficar no quarto trancado ou sentado sem levantar ou falar por alguns minutos. É preciso ter muito controle porque a criança pode chorar e berrar e você tem de se manter firme. Crianças nessa idade querem muita atenção. É nesses poucos minutos que elas vão sentir a pena. Calcule um minuto por ano. Três anos, três minutos de castigo. O que conta é que haja conseqüências imediatas.

Veja – E se você está no shopping com seu filho de 6 anos, ele se joga no chão, começa a berrar feito louco porque quer um tênis de 300 reais? Como falar "Vamos conversar, meu filho" com o menino dando um escândalo?
Lidia – Você não vai falar isso na hora. Até porque vai estar com raiva também. Segure-o pelo braço e leve-o embora dali. Quando ele se acalmar, mostre as conseqüências da má atitude dele. Criança não nasce chata. Ela fica chata por causa dos pais. Se a criança faz birra e os pais cedem para se ver livres do escândalo, eles estão recompensando esse comportamento. Aí vira aquela criança insuportável, da qual os pais mesmos vão se afastar e dizer: "O gênio dela é ruim". Não existe isso.

Veja – Os pais têm preguiça de ensinar?
Lidia – Eles têm de argumentar, o que é mais complicado. Dá muito mais trabalho do que simplesmente dizer não. Se seu filho quer um tênis de 300 reais "porque todos os amigos têm" e você não vai comprar, explique as razões. Diga que não é com um tênis que ele vai se tornar alguma coisa ou que é contra seus princípios pagar tão caro por um sapato ou simplesmente que você não tem o dinheiro. Mas diga o motivo sincero. Você não pode sair de lá e cinco minutos depois comprar uma bolsa de 500 reais para você.

Veja – Como convencer pais que trabalharam o dia todo, brigaram com o chefe, passam por uma crise no casamento a chegar em casa e ter ânimo de argumentar com as crianças?
Lidia – Educação é trabalho. Se você tem um relatório para entregar para seu chefe no dia seguinte, você vai virar a noite, mas vai escrevê-lo. Se está com TPM mas tem uma reunião decisiva, você toma um comprimido e vai. Por que muitas pessoas não têm esse empenho quando se trata de educar suas crianças? É o que chamamos de "investimento parental". Tem de investir, tem de fazer um esforço, tem de dar a real importância a esse tempo com os filhos. Mas, se você não conseguir um dia ou outro, também não é o fim do mundo.

Veja – E se os pais nunca fizeram isso? É possível mudar o comportamento depois de muitos anos?
Lidia – Há uma técnica que chamamos de quadrinho de recompensas, em que você foca nas coisas positivas feitas pela criança. É muito eficiente se usada depois dos 4 anos. Liste todas as tarefas que você considera positivas. Pode colocar até arrumar a cama, escovar os dentes, comer tudo. Quando a criança fizer isso, ela mesma vai até o quadrinho e se dá uma estrela. Quando um pai permissivo resolve mudar de atitude, a criança piora o comportamento no primeiro momento. Ela vai tentar obter a atenção com as armas que usava antes. Se fazia birra, vai fazer ainda mais. Então, tem-se de agüentar esse começo.

Veja – Existe um caminho de como fazer de seu filho um adulto feliz?
Lidia – Fortalecer a auto-estima. É surpreendente, mas a maioria dos pais tem dificuldade de elogiar seu filhos. Eles temem parecer falsos. Mas é preciso insistir até conseguir. Se dois irmãos estão brincando e eles costumam brigar, em vez de dizer "Até que enfim, vocês estão brincando", diga: "Que bom, vocês estão brincando juntos". Sem sarcasmo, sem provocação. Os pais devem sempre mostrar que o amor deles pelos filhos é incondicional. Aquela coisa de dizer: "Ah, se você não comer tudo não vou mais gostar de você" mina a auto-estima da criança de um jeito quase irreversível. A criança tem de contar com o seu amor, mesmo que ela faça algo errado.

Veja – Como fazer com que seu filho confie em você?
Lidia – Ouça, não julgue. Não avalie seu filho pelos seus padrões. Se sua filha vier lhe contar que "ficou" com dois meninos numa festa, não faça escândalo. O mundo mudou. Hoje isso é plenamente aceitável. Se você brigar, ela nunca mais lhe contará nada. Mas, se ela contar que transou com dois, aí é outra coisa. Seu papel é explicar que isso não é aceitável. Exponha as causas e as conseqüências de tal atitude, mas sem puni-la. Ensine desde a tenra idade seu filho a falar sobre si próprio.

Veja – O que é fundamental na relação entre pais e filhos?
Lidia – Afeto, envolvimento, participação, saber quem são os amigos. É preciso monitorar. Não é ligar para o celular da criança ou adolescente a cada dez minutos. É mostrar que você se importa, que participa da vida deles, mesmo que, num primeiro momento, isso pareça intromissão. Não tenha dúvida: no futuro, eles agradecerão.



Entrevista retirada da revista Veja on-line em <http://veja.abril.com.br/020604/entrevista.html>


quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Leitura ou lei-dura?



O acesso à leitura é tema de inquestionável relevância para a sociedade, porém, ainda está na contramão da necessidade. A leitura é capaz de proporcionar ao indivíduo acesso a um mundo novo, que através da história, se confirma como um caminho para se chegar ao conhecimento. Discutir caminhos de acesso e fomento da leitura ainda é o objetivo de muitos pesquisadores da área.
O discurso denunciador da crise na leitura pensa as relações políticas entre escola, leitura e sociedade. Ezequiel Teodoro da Silva, em 1979, vê a crise na "lei-dura da leitura" imposta pela sociedade, que, por um conjunto de restrições "impede a fruição da leitura por milhões de leitores em potencial" (p.23). O autor faz suas “denúncias” expondo que a crise da leitura estaria na sociedade em geral, assim como, escolas e pesquisadores que são impedidos, de alguma maneira, de contribuir para a democratização do acesso ao livro. Instaura-se assim, mecanismos de alienação e controle.

1º. Parágrafo da lei – dura da leitura: somente a elite dirigente deve ler: o povo deve ser mantido longe dos livros. Os livros, quando bem selecionados e lidos estimulam a crítica, a contestação e a transformação – elementos estes que colocam em risco a estrutura social vigente e, portanto, regime de privilégios.

    (3) historicamente falando, a grande maioria do povo brasileiro nuca teve acesso ao livro. Chegamos à década  de 80 com uma taxa vergonhosa de analfabetismo, para não falar dos pseudo- alfabetizados que mal sabem ferrar a sua assinatura numa folha de papel.

    2º. Parágrafo da lei-dura da  leitura: No território nacional, diferentes aspectos da   leitura devem permanecer  como  pontos de interseção. O apoio à execução de pesquisas ao desenvolvimento de programas, visando à mudança, deve ser o mínimo possível de modo que as coisas permaneçam exatamente como estão.

1.      é paradoxal que, num país de tão grande dimensão e número de habitantes, exista uma exiguidade de investigações  na área da leitura. Na lista de prioridades de pesquisa, geralmente baixada pelas autoridades, o tópico “leitura” é  uma realidade. É  paradoxal porque a crise do livro e da leitura exige, sem dúvida, respostas ao nível da investigação cientifica.
2.      Com raras exceções as investigações sobre o problema da leitura, realizada na década de 70, apenas serviram para constatar o obvio ou seja que os estudantes estão lendo cada vez menos e que os seus interesses não são atendidos no âmbito da escola.

3º. Parágrafo da lei-dura da leitura : O  ensino da leitura, como proposto pelas escolas, deve ser  feito pelo processo de ensaio- e- erro. Deve é claro haver mais erros do que acertos de modo  a confundir o aluno – leitor. Não o gosto, mas o “desgosto” pela leitura deve ser incentivado. Mesmo o professor, por falta de condições deve ser impedido de ler criticamente.

1.      O  professor brasileiro, dada a sua condição de oprimido, também  é carente da
Leitura. O salário não é suficiente para comprar livros e enriquecer o acervo de sua biblioteca especializada nas escolas.
Os cursos de licenciaturas tocam por alto a pedagogia da leitura.

(2) O currículo da leitura das nossas escolas (principalmente as públicas) geralmente se apresentam desorganizados, não – sequenciados, parecendo ser estabelecidos na base da improvisação e do desleixo. em uma pesquisa realizada em Campinas, constatei que quanto mais o aluno sobe na hierarquia acadêmica, mais negativa é a sua atitude frente á leitura. Regina Zilberman, em pesquisa realizada em  Porto Alegre, mostrou alguns aspectos da falta de atenção para com a orientação de leitura dos alunos: repetição das mesmas obras literárias em diferentes séries, inadequação das obras ao leitor.etc….

4º parágrafo da lei – dura da leitura : os diferentes especialistas que fazem ciências na área da leitura devem trabalhar de forma não integrada ou compartilhada. A visão do todo, estabelecida  através da integração de perspectivas diversas (histórica, política, comunicacional, literária, psicologica, lingüistica, etc…..), é sempre perigosa e deve ser sempre evitada – os conhecimentos relativos à leitura no Brasil devem aparecer e serem disseminados na forma de “retalhos”.

35 anos se passaram, e alguma coisa mudou?

Estamos caminhando a passos lentos para a democratização do acesso a leitura. É preciso lutar para alcançar esse objetivo, porém, o problema da leitura, é reflexo de uma política precária que se estende a várias áreas sociais e acaba refletida na educação.


Referência
SILVA,E.T. Leitura ou lei-dura?In: ABREU,M. (org). Leituras do Brasil. Campinas-SP: Mercado das Letras, 1995.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Papai Noel existe? Como contar para as crianças?

O Natal, uma das festas mais comemoradas em todo o mundo, está chegando. É época de esbarrar com Papai Noel em ruas, lojas, shoppings, restaurantes. O que não é nada mal, já que ver os filhos felizes é um dos maiores prazeres de pais e mães. Mas estimular a fantasia é saudável para o desenvolvimento dos pequenos? "Incentivar a crença no Papai Noel é absolutamente saudável. Mais do que isso: é imprescindível! Toda criança merece viver o encantamento do Natal", garante a psicoterapeuta e contadora de histórias Alessandra Giordano, de São Paulo.

Ninguém deve tirar de uma criança a capacidade de fantasiar. De acordo com os especialistas, o papel dos pais é, ao contrário, facilitar o mundo da imaginação para os pequenos, oferecendo-lhes todas as possibilidades de sonho e fantasia. "O Papai Noel é, sem dúvida, uma das recordações mais bonitas que trazemos da infância. E o que fica registrado em nosso inconsciente não é só a figura do entregador de presentes, pois o Papai Noel representa muito mais do que isso. O velhinho barbudo e simpático é o valor da família, da fraternidade e da bondade. E é também o respeito ao idoso", defende Rosana Zanella, psicóloga e professora do Instituto Sedes Sapientiae e da FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas), de São Paulo.

Além de proporcionar uma infância mais feliz e cheia de imaginação, o Papai Noel também oferece outras representações simbólicas. "É ele que vai se esforçar para atender aos nossos desejos. A ideia de que vamos encontrar bons velhinhos ao longo da vida é o que nos ajuda a aguentar o 'tranco'. É o que chamamos de fé na vida", diz Carolina Scheuer, psicóloga especialista em psicanálise da criança.

Ela afirma que as figuras mitológicas criadas na infância são fundamentais durante todo o nosso percurso. "De modo geral, a realidade é uma coisa difícil de ser digerida sem 'amortecimento', na infância e na vida adulta." É claro que adultos e crianças lidam com a fantasia de maneiras completamente diferentes, mas todos, em algum grau, precisam dela para dar conta de suas angústias e ansiedades. "É pela via do imaginário e da fantasia que conseguimos elaborar nossas questões afetivas e isso começa na infância", afirma Carolina.

Muitos pais têm dúvidas sobre o que dizer aos filhos a respeito do Papai Noel. Diante desse dilema, a psicanalista austríaca Melanie Klein (1882-1960) experimentou negar a fantasia aos seus rebentos. Ela acreditava que a realidade deveria prevalecer em qualquer circunstância. Mas, certo dia, deparou-se com um pedido dos filhos: eles queriam se mudar para a casa da vizinha. Intrigada, perguntou o motivo e encontrou a resposta: é que lá existia Papai Noel. "O caso está registrado em uma das contribuições de Klein à psicanálise e mostra que a fantasia é intrínseca à criança, queiram os pais ou não", avalia Carolina.

MÃE, PAPAI NOEL EXISTE???
Essa é uma dúvida que as mães sempre me questionam...COMO FALAR A VERDADE??
Em algum momento do desenvolvimento da criança, ela aparecerá com essa pergunta: "Mãe, é verdade que Papai Noel não existe?". Especialistas recomendam que os pais não confirmem nem neguem totalmente. Uma boa resposta nessa hora, lembrando que pode ser apenas desconfiança da criança e que ela não esteja preparada para romper de vez com essa fantasia, é dizer que "ele existe para quem acredita nele", aconselha Paula Furtado, psicopedagoga e escritora, de São Paulo. Outro caminho é devolver a pergunta para a criança, ajudando-a a estruturar seu pensamento: "O que você acha filho? Como você imagina que seja?".


fonte: http://educarparacrescer.abril.com.br

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Como identificar um aluno disléxico?






Mesmo com todas as dificuldades que a dislexia pode trazer para a vida escolar de uma criança, é possível contornar o problema.
O mais importante é que os pais – e principalmente os professores – estejam sempre atentos.
O grau da "doença" varia muito e os sinais costumam ser inconstantes.

A seguir algumas das características mais comuns:

A criança é inteligente e criativa – mas tem dificuldades em leitura, escrita e soletração.

Costuma ser rotulado de imaturo ou preguiçoso.

Obtém bons resultados em provas orais, mas não em avaliações escritas.

Tem baixa auto-estima e se sente incapaz.

Tem habilidade em áreas como arte, música, teatro e esporte.

Parece estar sempre sonhando acordado.

É desatento ou hiperativo

Aprende mais facilmente fazendo experimentos, observações e usando recursos visuais.

Visão, leitura e soletração:
Reclama de enjôos, dores de cabeça ou estômago quando lê.

Faz confusões com as letras, números palavras, seqüências e explicações verbais.

Quando lê ou escreve comete erros de repetição, adição ou substituição.

Diz que vê ou sente um movimento inexistente quando lê, escreve ou faz cópia.

Parece ter dificuldades de visão, mas exames de vista não mostram o problema.

Lê repetidas vezes sem entender o texto.

Sua ortografia é inconstante.

Audição e linguagem:

É facilmente distraído por sons.

Tem dificuldades em colocar os pensamentos em palavras. Às vezes pronuncia de forma errada palavras longas.

Escrita e habilidades motoras:

Dificuldades com cópia e escrita. Sua letra muitas vezes é ilegível.

Pode ser ambidestro. Com freqüência confunde direita e esquerda ou acima e abaixo.

Matemática e gerenciamento do tempo:

Tem problemas para dizer a hora, controlar seus horários e ser pontual.

Depende dos dedos ou outros objetos para contar. Muitas vezes sabe a resposta, mas não consegue demonstrá-la no papel.

Faz exercícios de aritmética, mas considera difícil problemas com enunciados.

Tem dificuldade em lidar com dinheiro.

Memória e cognição:
Excelente memória a longo prazo para experiências, lugares e rostos. No entanto têm memória ruim para seqüências e informações que não vivenciou.


Fonte: Dyslexia The Gift www.dyslexia.com

Dislexia em adultos


A matéria é antiga, mas interessante.