quinta-feira, 6 de novembro de 2014

O que falta é afeto


Psicóloga diz que educar dá trabalho e que os pais fazem mal aos filhos com punições sem lógica e às vezes até cruéis.



Jair da Rocha
"Tem-se a impressão de que os pais são tolerantes demais com os filhos. Descobri o contrário"


A maioria dos pais se martiriza com questionamentos intermináveis sobre como criar os filhos. Por mais que evitem, estão sempre esquadrinhando seu comportamento. Estariam sendo muito duros? Muito permissivos? Muito autoritários? Como agir em determinada situação? Para a psicóloga Lidia Weber, de 46 anos, o tema é uma fonte inesgotável de indagações das quais já se consolidaram, felizmente, algumas certezas. Autora de seis livros sobre relações intrafamiliares, coordenadora de um programa de dinâmica familiar na Universidade Federal do Paraná, ela costuma aconselhar seus alunos e os pais que a procuram da seguinte maneira: "Siga sua consciência, obedeça a seus valores". É essa a maneira de educar. Para ela, o sucesso na criação passa pelo fortalecimento da auto-estima das crianças. E isso se faz, ao contrário do que diz o senso comum, mais com elogios do que com punições. "Muitos pais não sabem elogiar. Têm vergonha", diz. Casada, mãe de três filhos entre 10 e 16 anos, Lidia – que nunca apanhou dos pais e nunca bateu nos filhos – é uma entusiasta do castigo e uma inimiga da palmada, que ela considera dispensável mesmo nas situações de limites.
Veja – Por que os pais parecem tão assustados com a tarefa de educar os filhos?
Lidia – Acho que há duas razões principais. Primeiro, pela realidade mesmo. Somos todo o tempo bombardeados com notícias sobre violência. Isso dá muito medo. Outra razão eu acho que se deve ao que chamo de quebra da solidariedade entre os adultos. Antes, tínhamos a sensação – e era verdade – de que poderíamos contar com outras pessoas para cuidar do bem-estar de nossos filhos. Os vizinhos, os parentes, os professores faziam parte dessa rede de segurança. Hoje isso não existe mais. É cada um por si. O perigo pode morar ao lado. Esse medo do "outro" é a expressão mais tangível da paranóia dos pais.

Veja – Qual a melhor maneira de os pais lidarem com esses medos?
Lidia – Acho fundamental a retomada da rede de segurança. Contar com os avós, com amigos próximos. Voltar a aprender a confiar. Isso conforta e dá segurança. Os pais também têm de se focar. Gasta-se muito tempo com preocupações menores. Se o filho não comeu verdura, se o outro deixou os tênis espalhados pelo quarto, se a filha saiu sem casaco, e por aí vai. Isso não quer dizer nada. Só provoca angústia e insegurança nos pais e nos filhos. Antes de fazer tantas ressalvas, questione-se: "Isso realmente é crucial?" ou "Que lição meu filho vai levar disso?". Às vezes, a obsessão com a segurança pode ser mais danosa que os próprios riscos.

Veja – Livros de auto-ajuda ou de como criar os filhos vendem como nunca. Eles são úteis?
Lidia – Depende. A maioria dos pais ignora a fase de desenvolvimento dos filhos. Se soubessem como são os comportamentos típicos de cada idade, educar ficaria mais fácil. Por exemplo: é normal um menino de 6 anos querer comer com a mão. É normal chegar à adolescência e, durante uma briga, dizer que odeia os pais. Ciente disso, fica mais fácil gerenciar, lidar com essas questões. Ao contrário, tudo pode se tornar um drama. A mãe pensa: "Ah, vou deixar minha filha fazer o que ela quiser, porque eu não agüento ouvir isso". Os livros são úteis para isso. Para informar como é uma criança, um adolescente. Mas livros que falam como fazer seu filho ficar rico ou virar um gênio não podem ser levados a sério.

Veja – Por quê?
Lidia – Porque não existe um padrão, um modelo em que se possa enquadrar todo mundo. Esses livros servem para aliviar a culpa de alguns pais. Eles acham que lendo um manual vão aprender a ser perfeitos. Os pais sentem muita culpa porque passam muito tempo longe dos filhos. Mas é uma realidade hoje. É preciso ter noção de que seu filho não vai virar um desajustado porque não está 24 horas a seu lado. Nem ele nem os amiguinhos ficam tanto com os pais. Dito assim, parece óbvio, mas os pais devem educar os filhos de acordo com seus valores pessoais, não pelo valor dos autores de livros. Têm de entender que só eles são capazes de tomar decisões e passar valores para suas crianças.

Veja – A senhora costuma dizer que não há pais permissivos, há pais negligentes e com pouco afeto. Por quê?
Lidia – Fizemos várias pesquisas na Universidade Federal do Paraná com cerca de 1 500 crianças de escolas públicas e particulares. Hoje, tem-se a impressão de que a maioria dos pais é tolerante demais. Descobrimos o contrário. Há muito pouco afeto em jogo.

Veja – Qual o maior dilema dos pais?
Lidia – Sem dúvida, é a questão de bater ou não bater. Porque a maioria apanhou, e quem apanhou acha normal bater. A outra dificuldade é sobre questões cotidianas, que a gente chama de supervisão inadequada, excessiva. Os pais estão estressados, têm pouca paciência. É muito mais eficiente dizer: "Olhe, eu vou chamar você uma vez para almoçar. Se não vier agora, só vai comer na próxima refeição".

Veja – A senhora coloca a palmadinha de leve no mesmo patamar de uma surra? Não é exagero?
Lidia – O princípio é o mesmo: eu uso o poder e a força para obrigar você a parar de fazer alguma coisa. Em 99% dos casos a palmada é usada quando os pais estão com raiva. Isso aumenta o risco de a punição se transformar em maus-tratos porque você está descontrolado. O único resultado positivo da palmada é que a criança pára de perturbar na hora. E esse é um dos aspectos perversos do tapa: por ter efeito imediato, os pais o utilizam com muito mais facilidade e freqüência. Há um estudo da professora Elizabeth Gershoff, da Universidade Columbia, provando o mal da palmada a longo prazo. Há dez aspectos negativos observados para cada um positivo. Mulheres que apanharam dos pais na infância costumam encarar com mais naturalidade a violência do marido, por exemplo. Há uma ligação estreita com o aumento de agressividade, de comportamento delinqüente e anti-social.

Veja – Estamos falando de uma palmadinha...
Lidia – Ainda assim. No estudo de Gershoff é feita essa diferença. São várias análises que levam em conta o que se chama de punição normativa e o abuso físico de fato. Então, alguém pode dizer: "Eu apanhei dos meus pais e não sou anti-social". Tudo bem. Mas isso não prova muita coisa. A pesquisa é mais esclarecedora nesses casos porque reflete o que ocorre com a maioria das pessoas. É claro que, se você leva um tapinha mas é estimulado em casa a ter uma boa auto-estima, não vai virar um marginal. Se os pais forem muito competentes e usam uma palmadinha de vez em quando, isso não causa prejuízo. Mas eu pergunto: se são tão competentes, por que precisam bater?

Veja – E o castigo?
Lidia – O castigo é muito eficiente. A retirada de privilégios é uma conseqüência lógica: "Você chegou às 11 da noite, era para chegar às 10, então da próxima vez vai chegar às 9". O filho precisa de regras, pois a vida adulta é cheia delas. Com adolescente, saber negociar também é vital. Outro dia, minha filha foi advertida na escola porque não fez a tarefa. Ela mesma veio até mim e disse: "Então, vamos ver o castigo que eu posso ter. Vai ter a festa da fulana, então eu não vou à festa". Causa e conseqüência. Isso vem de berço. É uma doutrina que se ensina desde pequeno.

Veja – Qual o grande erro dos pais na hora de castigar?
Lidia – É quando não conseguem estabelecer regras coerentes de acordo com a idade, e consistentes de acordo com sua conduta. Você não pode dar um castigo conforme o seu humor. Por exemplo, aquela mãe que, depois que uma criança aprontou algo, começa a berrar: "Vai ficar um mês sem usar a internet!" ou "Vai ficar uma semana sem sair de casa!". É quase impossível manter isso. Então, só imponha castigos que você pode cumprir. Do contrário, seu filho vai perder a confiança e o respeito por você.

Veja – Há técnicas eficientes de castigo para cada idade?
Lidia – Com crianças menores, há técnicas eficientes como otime out. É o famoso ficar no quarto trancado ou sentado sem levantar ou falar por alguns minutos. É preciso ter muito controle porque a criança pode chorar e berrar e você tem de se manter firme. Crianças nessa idade querem muita atenção. É nesses poucos minutos que elas vão sentir a pena. Calcule um minuto por ano. Três anos, três minutos de castigo. O que conta é que haja conseqüências imediatas.

Veja – E se você está no shopping com seu filho de 6 anos, ele se joga no chão, começa a berrar feito louco porque quer um tênis de 300 reais? Como falar "Vamos conversar, meu filho" com o menino dando um escândalo?
Lidia – Você não vai falar isso na hora. Até porque vai estar com raiva também. Segure-o pelo braço e leve-o embora dali. Quando ele se acalmar, mostre as conseqüências da má atitude dele. Criança não nasce chata. Ela fica chata por causa dos pais. Se a criança faz birra e os pais cedem para se ver livres do escândalo, eles estão recompensando esse comportamento. Aí vira aquela criança insuportável, da qual os pais mesmos vão se afastar e dizer: "O gênio dela é ruim". Não existe isso.

Veja – Os pais têm preguiça de ensinar?
Lidia – Eles têm de argumentar, o que é mais complicado. Dá muito mais trabalho do que simplesmente dizer não. Se seu filho quer um tênis de 300 reais "porque todos os amigos têm" e você não vai comprar, explique as razões. Diga que não é com um tênis que ele vai se tornar alguma coisa ou que é contra seus princípios pagar tão caro por um sapato ou simplesmente que você não tem o dinheiro. Mas diga o motivo sincero. Você não pode sair de lá e cinco minutos depois comprar uma bolsa de 500 reais para você.

Veja – Como convencer pais que trabalharam o dia todo, brigaram com o chefe, passam por uma crise no casamento a chegar em casa e ter ânimo de argumentar com as crianças?
Lidia – Educação é trabalho. Se você tem um relatório para entregar para seu chefe no dia seguinte, você vai virar a noite, mas vai escrevê-lo. Se está com TPM mas tem uma reunião decisiva, você toma um comprimido e vai. Por que muitas pessoas não têm esse empenho quando se trata de educar suas crianças? É o que chamamos de "investimento parental". Tem de investir, tem de fazer um esforço, tem de dar a real importância a esse tempo com os filhos. Mas, se você não conseguir um dia ou outro, também não é o fim do mundo.

Veja – E se os pais nunca fizeram isso? É possível mudar o comportamento depois de muitos anos?
Lidia – Há uma técnica que chamamos de quadrinho de recompensas, em que você foca nas coisas positivas feitas pela criança. É muito eficiente se usada depois dos 4 anos. Liste todas as tarefas que você considera positivas. Pode colocar até arrumar a cama, escovar os dentes, comer tudo. Quando a criança fizer isso, ela mesma vai até o quadrinho e se dá uma estrela. Quando um pai permissivo resolve mudar de atitude, a criança piora o comportamento no primeiro momento. Ela vai tentar obter a atenção com as armas que usava antes. Se fazia birra, vai fazer ainda mais. Então, tem-se de agüentar esse começo.

Veja – Existe um caminho de como fazer de seu filho um adulto feliz?
Lidia – Fortalecer a auto-estima. É surpreendente, mas a maioria dos pais tem dificuldade de elogiar seu filhos. Eles temem parecer falsos. Mas é preciso insistir até conseguir. Se dois irmãos estão brincando e eles costumam brigar, em vez de dizer "Até que enfim, vocês estão brincando", diga: "Que bom, vocês estão brincando juntos". Sem sarcasmo, sem provocação. Os pais devem sempre mostrar que o amor deles pelos filhos é incondicional. Aquela coisa de dizer: "Ah, se você não comer tudo não vou mais gostar de você" mina a auto-estima da criança de um jeito quase irreversível. A criança tem de contar com o seu amor, mesmo que ela faça algo errado.

Veja – Como fazer com que seu filho confie em você?
Lidia – Ouça, não julgue. Não avalie seu filho pelos seus padrões. Se sua filha vier lhe contar que "ficou" com dois meninos numa festa, não faça escândalo. O mundo mudou. Hoje isso é plenamente aceitável. Se você brigar, ela nunca mais lhe contará nada. Mas, se ela contar que transou com dois, aí é outra coisa. Seu papel é explicar que isso não é aceitável. Exponha as causas e as conseqüências de tal atitude, mas sem puni-la. Ensine desde a tenra idade seu filho a falar sobre si próprio.

Veja – O que é fundamental na relação entre pais e filhos?
Lidia – Afeto, envolvimento, participação, saber quem são os amigos. É preciso monitorar. Não é ligar para o celular da criança ou adolescente a cada dez minutos. É mostrar que você se importa, que participa da vida deles, mesmo que, num primeiro momento, isso pareça intromissão. Não tenha dúvida: no futuro, eles agradecerão.



Entrevista retirada da revista Veja on-line em <http://veja.abril.com.br/020604/entrevista.html>


quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Leitura ou lei-dura?



O acesso à leitura é tema de inquestionável relevância para a sociedade, porém, ainda está na contramão da necessidade. A leitura é capaz de proporcionar ao indivíduo acesso a um mundo novo, que através da história, se confirma como um caminho para se chegar ao conhecimento. Discutir caminhos de acesso e fomento da leitura ainda é o objetivo de muitos pesquisadores da área.
O discurso denunciador da crise na leitura pensa as relações políticas entre escola, leitura e sociedade. Ezequiel Teodoro da Silva, em 1979, vê a crise na "lei-dura da leitura" imposta pela sociedade, que, por um conjunto de restrições "impede a fruição da leitura por milhões de leitores em potencial" (p.23). O autor faz suas “denúncias” expondo que a crise da leitura estaria na sociedade em geral, assim como, escolas e pesquisadores que são impedidos, de alguma maneira, de contribuir para a democratização do acesso ao livro. Instaura-se assim, mecanismos de alienação e controle.

1º. Parágrafo da lei – dura da leitura: somente a elite dirigente deve ler: o povo deve ser mantido longe dos livros. Os livros, quando bem selecionados e lidos estimulam a crítica, a contestação e a transformação – elementos estes que colocam em risco a estrutura social vigente e, portanto, regime de privilégios.

    (3) historicamente falando, a grande maioria do povo brasileiro nuca teve acesso ao livro. Chegamos à década  de 80 com uma taxa vergonhosa de analfabetismo, para não falar dos pseudo- alfabetizados que mal sabem ferrar a sua assinatura numa folha de papel.

    2º. Parágrafo da lei-dura da  leitura: No território nacional, diferentes aspectos da   leitura devem permanecer  como  pontos de interseção. O apoio à execução de pesquisas ao desenvolvimento de programas, visando à mudança, deve ser o mínimo possível de modo que as coisas permaneçam exatamente como estão.

1.      é paradoxal que, num país de tão grande dimensão e número de habitantes, exista uma exiguidade de investigações  na área da leitura. Na lista de prioridades de pesquisa, geralmente baixada pelas autoridades, o tópico “leitura” é  uma realidade. É  paradoxal porque a crise do livro e da leitura exige, sem dúvida, respostas ao nível da investigação cientifica.
2.      Com raras exceções as investigações sobre o problema da leitura, realizada na década de 70, apenas serviram para constatar o obvio ou seja que os estudantes estão lendo cada vez menos e que os seus interesses não são atendidos no âmbito da escola.

3º. Parágrafo da lei-dura da leitura : O  ensino da leitura, como proposto pelas escolas, deve ser  feito pelo processo de ensaio- e- erro. Deve é claro haver mais erros do que acertos de modo  a confundir o aluno – leitor. Não o gosto, mas o “desgosto” pela leitura deve ser incentivado. Mesmo o professor, por falta de condições deve ser impedido de ler criticamente.

1.      O  professor brasileiro, dada a sua condição de oprimido, também  é carente da
Leitura. O salário não é suficiente para comprar livros e enriquecer o acervo de sua biblioteca especializada nas escolas.
Os cursos de licenciaturas tocam por alto a pedagogia da leitura.

(2) O currículo da leitura das nossas escolas (principalmente as públicas) geralmente se apresentam desorganizados, não – sequenciados, parecendo ser estabelecidos na base da improvisação e do desleixo. em uma pesquisa realizada em Campinas, constatei que quanto mais o aluno sobe na hierarquia acadêmica, mais negativa é a sua atitude frente á leitura. Regina Zilberman, em pesquisa realizada em  Porto Alegre, mostrou alguns aspectos da falta de atenção para com a orientação de leitura dos alunos: repetição das mesmas obras literárias em diferentes séries, inadequação das obras ao leitor.etc….

4º parágrafo da lei – dura da leitura : os diferentes especialistas que fazem ciências na área da leitura devem trabalhar de forma não integrada ou compartilhada. A visão do todo, estabelecida  através da integração de perspectivas diversas (histórica, política, comunicacional, literária, psicologica, lingüistica, etc…..), é sempre perigosa e deve ser sempre evitada – os conhecimentos relativos à leitura no Brasil devem aparecer e serem disseminados na forma de “retalhos”.

35 anos se passaram, e alguma coisa mudou?

Estamos caminhando a passos lentos para a democratização do acesso a leitura. É preciso lutar para alcançar esse objetivo, porém, o problema da leitura, é reflexo de uma política precária que se estende a várias áreas sociais e acaba refletida na educação.


Referência
SILVA,E.T. Leitura ou lei-dura?In: ABREU,M. (org). Leituras do Brasil. Campinas-SP: Mercado das Letras, 1995.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Papai Noel existe? Como contar para as crianças?

O Natal, uma das festas mais comemoradas em todo o mundo, está chegando. É época de esbarrar com Papai Noel em ruas, lojas, shoppings, restaurantes. O que não é nada mal, já que ver os filhos felizes é um dos maiores prazeres de pais e mães. Mas estimular a fantasia é saudável para o desenvolvimento dos pequenos? "Incentivar a crença no Papai Noel é absolutamente saudável. Mais do que isso: é imprescindível! Toda criança merece viver o encantamento do Natal", garante a psicoterapeuta e contadora de histórias Alessandra Giordano, de São Paulo.

Ninguém deve tirar de uma criança a capacidade de fantasiar. De acordo com os especialistas, o papel dos pais é, ao contrário, facilitar o mundo da imaginação para os pequenos, oferecendo-lhes todas as possibilidades de sonho e fantasia. "O Papai Noel é, sem dúvida, uma das recordações mais bonitas que trazemos da infância. E o que fica registrado em nosso inconsciente não é só a figura do entregador de presentes, pois o Papai Noel representa muito mais do que isso. O velhinho barbudo e simpático é o valor da família, da fraternidade e da bondade. E é também o respeito ao idoso", defende Rosana Zanella, psicóloga e professora do Instituto Sedes Sapientiae e da FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas), de São Paulo.

Além de proporcionar uma infância mais feliz e cheia de imaginação, o Papai Noel também oferece outras representações simbólicas. "É ele que vai se esforçar para atender aos nossos desejos. A ideia de que vamos encontrar bons velhinhos ao longo da vida é o que nos ajuda a aguentar o 'tranco'. É o que chamamos de fé na vida", diz Carolina Scheuer, psicóloga especialista em psicanálise da criança.

Ela afirma que as figuras mitológicas criadas na infância são fundamentais durante todo o nosso percurso. "De modo geral, a realidade é uma coisa difícil de ser digerida sem 'amortecimento', na infância e na vida adulta." É claro que adultos e crianças lidam com a fantasia de maneiras completamente diferentes, mas todos, em algum grau, precisam dela para dar conta de suas angústias e ansiedades. "É pela via do imaginário e da fantasia que conseguimos elaborar nossas questões afetivas e isso começa na infância", afirma Carolina.

Muitos pais têm dúvidas sobre o que dizer aos filhos a respeito do Papai Noel. Diante desse dilema, a psicanalista austríaca Melanie Klein (1882-1960) experimentou negar a fantasia aos seus rebentos. Ela acreditava que a realidade deveria prevalecer em qualquer circunstância. Mas, certo dia, deparou-se com um pedido dos filhos: eles queriam se mudar para a casa da vizinha. Intrigada, perguntou o motivo e encontrou a resposta: é que lá existia Papai Noel. "O caso está registrado em uma das contribuições de Klein à psicanálise e mostra que a fantasia é intrínseca à criança, queiram os pais ou não", avalia Carolina.

MÃE, PAPAI NOEL EXISTE???
Essa é uma dúvida que as mães sempre me questionam...COMO FALAR A VERDADE??
Em algum momento do desenvolvimento da criança, ela aparecerá com essa pergunta: "Mãe, é verdade que Papai Noel não existe?". Especialistas recomendam que os pais não confirmem nem neguem totalmente. Uma boa resposta nessa hora, lembrando que pode ser apenas desconfiança da criança e que ela não esteja preparada para romper de vez com essa fantasia, é dizer que "ele existe para quem acredita nele", aconselha Paula Furtado, psicopedagoga e escritora, de São Paulo. Outro caminho é devolver a pergunta para a criança, ajudando-a a estruturar seu pensamento: "O que você acha filho? Como você imagina que seja?".


fonte: http://educarparacrescer.abril.com.br

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Como identificar um aluno disléxico?






Mesmo com todas as dificuldades que a dislexia pode trazer para a vida escolar de uma criança, é possível contornar o problema.
O mais importante é que os pais – e principalmente os professores – estejam sempre atentos.
O grau da "doença" varia muito e os sinais costumam ser inconstantes.

A seguir algumas das características mais comuns:

A criança é inteligente e criativa – mas tem dificuldades em leitura, escrita e soletração.

Costuma ser rotulado de imaturo ou preguiçoso.

Obtém bons resultados em provas orais, mas não em avaliações escritas.

Tem baixa auto-estima e se sente incapaz.

Tem habilidade em áreas como arte, música, teatro e esporte.

Parece estar sempre sonhando acordado.

É desatento ou hiperativo

Aprende mais facilmente fazendo experimentos, observações e usando recursos visuais.

Visão, leitura e soletração:
Reclama de enjôos, dores de cabeça ou estômago quando lê.

Faz confusões com as letras, números palavras, seqüências e explicações verbais.

Quando lê ou escreve comete erros de repetição, adição ou substituição.

Diz que vê ou sente um movimento inexistente quando lê, escreve ou faz cópia.

Parece ter dificuldades de visão, mas exames de vista não mostram o problema.

Lê repetidas vezes sem entender o texto.

Sua ortografia é inconstante.

Audição e linguagem:

É facilmente distraído por sons.

Tem dificuldades em colocar os pensamentos em palavras. Às vezes pronuncia de forma errada palavras longas.

Escrita e habilidades motoras:

Dificuldades com cópia e escrita. Sua letra muitas vezes é ilegível.

Pode ser ambidestro. Com freqüência confunde direita e esquerda ou acima e abaixo.

Matemática e gerenciamento do tempo:

Tem problemas para dizer a hora, controlar seus horários e ser pontual.

Depende dos dedos ou outros objetos para contar. Muitas vezes sabe a resposta, mas não consegue demonstrá-la no papel.

Faz exercícios de aritmética, mas considera difícil problemas com enunciados.

Tem dificuldade em lidar com dinheiro.

Memória e cognição:
Excelente memória a longo prazo para experiências, lugares e rostos. No entanto têm memória ruim para seqüências e informações que não vivenciou.


Fonte: Dyslexia The Gift www.dyslexia.com

Dislexia em adultos


A matéria é antiga, mas interessante.









quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Escola especial ou regular? Como tomar a decisão certa para seu filho?


Escolas regulares ajudam não apenas a criança especial, como também todo o resto do grupo: globo educação (Foto: Thinkstock/Getty Images)Escolas regulares ajudam não apenas a criança especial, como também todo o resto do grupo
(Foto: Thinkstock/Getty Images)
Escola regular ou especial? "É muito difícil fechar uma opinião pois ainda estamos caminhando no processo de inclusão, que prevê uma transformação no funcionamento da instituição escola”, afirma a psicopedagoga Sheina Tabak. “É possível, por exemplo, que uma criança com autismo ou Síndrome de Down não consiga se alfabetizar em uma escola regular e os pais optarem por, naquele momento, colocá-la em uma escola especial. Há também o caso de crianças que não conseguem ficar o turno escolar inteiro dentro de uma sala de aula por não conseguirem se concentrar. Por isso é preciso cautela. Não existe o certo ou o errado”, resume Sheina.

O primeiro movimento legal para que as escolas regulares aceitassem crianças com necessidades especiais foi a Constituição de 1988. Para a psicopedagoga e uma das coordenadoras do Movimento Down Debora Mascarenhas, esse foi o primeiro passo para a reviravolta que o correu no ensino brasileiro. “Lá diz que, preferencialmente, as pessoas com deficiência ou transtornos devem ser matriculadas em escolas regulares. O período de 25 anos, para a educação, é muito curto”, diz. E há questões que depois desse tempo, ainda persistem”, afirma.O fim das escolas especiais ainda está longe justamente para poder atender casos como esses. Mas elas estão cada vez mais raras no país e no mundo. Para pais, mães, pedagogos e especialistas, a escola regular é a melhor opção para crianças com necessidades especiais.

Como os professores aplicam o conteúdo quando há uma criança com autismo em sala? Como esse aluno deve ser avaliado? Repetição é válida? Avaliações alternativas para ele não vão despertar o sentimento de injustiça nos outros alunos? Essas e outras perguntas são feitas por educadores e psicopedagogos e não tem respostas definitivas.
Apesar de tantas dúvidas, a escola regular é a preferida dos especialistas. Salvo, claro, alguns casos pontuais. “A matrícula em uma escola regular traz muitos benefícios para todas as crianças da escola. Isso fica muito claro quando é feita uma atividade inclusiva. Fica nítido que as crianças com necessidades especiais têm algo a oferecer ao grupo”, garante Sheina.
Débora MAscarenhas: globo educação (Foto: Divulgação)
Débora Mascarenhas: escolas regulares são
positivas para ambos os lados (Foto: Divulgação)
Em geral, elas acabam levando o "diferente" a outras crianças. E, esse diferente, depois de muita conversa e explicações, vira logo comum e deixa de ser um bicho exótico de sete cabeças. As crianças acabam acolhendo a criança com autismo, por exemplo, e descobrem como lidar com ela. Com isso, desenvolvem a paciência e são prestativos, oferecendo sempre ajuda, diz Debora Mascarenhas. Lidar com o diferente prepara o outro para encarar o mundo. Por outro lado, é bom ter também pessoas com quem você possa compartilhar os mesmos desejos e desafios.
Escolas regulares públicas ou privadas?
“No passado, as escolas especiais apostaram na capacidade de aprendizado dessas pessoas”, afirma Debora Mascarenhas. Isso é um ponto muito importante. Houve um momento em que essas pessoas puderam estar fora do núcleo familiar, em escolas especiais, com pessoas iguais a elas”, lembra. Mas, para Debora, a escola regular ainda traz um mundo vasto, com um repertório de pessoas e sensações muito rico. “Em uma escola regular, a diversidade de pessoas é muito vasta e importante”, conta.
Depois de tomada a decisão de matricular uma criança com necessidades especiais em uma escola regular, o dilema se volta para outra questão: colégio público ou particular?
Para Débora, algumas escolas privadas ainda não conseguiram se adaptar à situação. Em muitos casos, o colégio particular não tem como oferecer a figura do mediador – pessoa que fica ao lado da criança a todo o momento para ajudá-la em sala de aula e nas atividades recreativas; e serve também como mediador entre o professor e o aluno. Assim, os pais de filhos deficientes ou com transtornos têm que pagar esse profissional à parte. Para complicar, essa criança ainda deve precisar de fonoaudiólogos, psicólogo, fisioterapia, por exemplo, o que encarece consideravelmente os custos da família.

Em uma escola pública, o Ministério da Educação e Cultura fornece recursos para que as unidades construam uma Sala de Recursos, um lugar para as crianças especiais poderem estudar o conteúdo dado em sala de aula. E a figura do mediador é substituída por um estagiário.
Segundo Debora, o importante não é uma escola se anunciar como inclusiva, mas, sim, como ela lida com a inclusão. “Gostaria de ressaltar a importância de uma preparação adequada por parte das escolas, que precisam considerar as necessidades de todos os alunos, com ou sem deficiência. A inclusão deve ser mais do que um conceito, precisa ser adotada no dia a dia das escolas. O que percebemos é um movimento muito positivo, principalmente das escolas públicas brasileiras, neste sentido.”

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Ideias para trabalhar com a inclusão




































































Encontre a Sombra

Oficina de APADEM

Estas atividades foram criadas na oficina da   Cláudia Moraes, responsável por este e outros belíssimos trabalhos.








Aprendendo Inglês / Learning English

Material utilizado : papelão ( daqueles comprados em armarinho ), atividades feitas no computador e plastificadas, cola quente e velcro adesivado.





 Encontre a metade do peixe


Mais Atividadespor Silvana Sousa
   

Atividade para ensinar os dias da semana , passando após aprendizado, 
para o calendário.

Dominó para trabalhar as quantidades . 

 


Objetivo : separar os objetos por cores de acordo
com a etiqueta  trabalhando o nome e o reconhecimento de cada cor assim como
 trabalhar  quantidade dos objetos  , desenvolvendo conceitos
de maior ou menor quantidade .

Potinhos etiquetados com as cores . Bandeja plástica para delimitar 
o espaço da atividade . 

Cestinha com os objetos a serem separados

Neste modelo creio que o foco seja a  coordenação motora , todavia podemos aproveitar 
e trabalhar as cores assim como a noção de sequenciação, sempre observando as limitações de cada criança.


Quebra-cabeça das Vogais















Dicas de Atividades de Habilidades para Autismo

Atividades da Habilidades Visuais

Pareamento deCores Primárias (vermelho, verde e amarelo)
 Pareamento de Cores
 Pareamento Cores
 Pareamento de formas geométricas
Pareamento de formas geométricas
 Pareamento de figuras
 Pareamento de formas geométricas
 Pareamento de figuras
 Discriminação Visual e Sequência
 Discriminação Visual e Sequência
 Discriminação Visual
 
Pareamento por tamanhos (grande/médio e pequeno)


 Pareamento de cores diferentes.
 Pareamento de formas e figuras diferentes.
Pareamento de tamanhos diferentes.
 Pareamento de letras
Pareamento e Sequência de cores.

 Pareamento de cores e formas e Sequência Visual. (Apoio da imagem visual)
 Sequência  Visual de Cores (apoio da imagem visual)
 Pareamento de Cores (Potinhos e Objetos coloridos)
Pareamento de Cores (Pregador de roupa com as cores e cartelas)
 Pareamento de 2 cores primárias diferentes
 Pareamento de Gravuras de Frutas e Frutinhas
 Pareamento de Gravuras de animais e os animais.
Sequência dos números. Os números com a associação de quantidades.


Deslizar as bolas vermelhas até abertura, seguindo as faixas.



Passar o laço nos ganchos seguindo o caminho das setas 



Colocar os pompons dentro de cada recipiente e depois fechar com a tampa.



Puxar as gominhas coloridas entre dois pauzinhos.


Encaixe das peças de legos de acordo com a sequência visual (Exemplo: azul- vermelho e amarelo)

.
  O processo de aprendizado buscando a compreensão, a organização e a independência. A criança trabalha num ambiente altamente estruturado que deve incluir organização física dos móveis, áreas de atividades claramente identificadas, murais de rotina e trabalhos baseados em figuras e instruções claras.

 Pareamento de formas geométricas e encaixe das peças.


 Pareamento de Cores e Sequência Visual e alinhavo das bolas coloridas.


Pareamento de Cores 


Pareamento de Números

Mosaico
Motricidade Fina
Alinhavo nos botões de formas diferentes.Apoio da imagem visual da outra figura idêntica. Pareamento de figuras e alinhavo (trabalha coordenação motora fina).


Alinhavo 
 Apoio da imagem visual para depois.....
 ...fazer o alinhavo.
 Apoio da imagem visual através do durex vermelho e depois....
...colocar o pregador de roupa vermelho em cima do durex vermelho.
Fonte:  Materiais do site Autism Learn  www.autismlearn101.com 

Atividades Pedagógicas de Cores e Formas Geométricas para autistas

* Joaquim Melo e Ana Maria Nascimento
 Não é tão simples ensinarmos cores e formas geométricas para alunos com autismo, porém é possível desenvolver este aprendizado de maneira didádica e prazerosa. Por isso, estamos compartilhando com pais e profissionais que trabalham com pessoas com autismo, esta experiência desenvolvida com nosso filho, o Ulisses, e outros alunos. Em pouco tempo já estamos vendo progresso, pois ele expressa o aprendizado fazendo todas as atividades de forma correta.

As cores e formas geométricas já na Educação Infantil fazem parte do currículo escolar dentro do conteúdo de matemática. Este conteúdo faz parte do nosso dia-a-dia por isso é tão importante ensinarmos aos nossos pequenos. Quando trabalhamos cores estamos também ensinando a criança a classificar. E o ato de aprendermos a classificar a partir das cores faz com que a criança perceba no mundo e na natureza os pequenos detalhes da beleza da vida. A idéia é fazer com que o aluno com autismo consiga generalizar este aprendizado e servirá de porta de entrada para outras vias do conhecimento.

Esta atividade ensina as cores primarias como o azul, vermelho, amarelo e verde com materiais de tampa de diversas garrafas inclusive a de Pet. As formas geométricas são trabalhadas com tampinhas de pet e palitos de picolé de plásticos coloridos. De forma intuitiva o aluno, logo de início consegue entender a atividade.

Passo-a-passo da AtividadeFormas geométricas e cores

Para esta atividade temos o quadrado, retângulo e triângulo impresso na folha A4 cada forma nas quatros cores que são Vermelho, azul, verde e amarelo, estas folhas são plastificadas para melhor durabilidade. Aqui são usados palitos de plasticos coloridos(da kibon do picolé Frutilly), também pode ser usado de outras marcas e de palito de madeira pintado. O tamanho dos lados das formas devem ter o mesmo dos palitos usados. O aluno deve sobrepor cada palito em cima dos lados das formas conforme as cores. No retângulo foi usado dois palitos nos lados maiores.




Atividade do Círculo com tampas de pet. A técnica usada é a mesma, basta fazer o desenho no mesmo tamanho das tampas de Pet, cada circunfência formada de vários círculos representados por cada tampa.





Atividade de Cores com tampas variadas com Velcro. Notem que a idéia agora é trabalhar só cores de forma generalizada, pois estamos usando tampas de vários tamanhos, para que seja entendido que a relação feita é a cor não importando o tipo de tampa. obs: os quadrados demarcados na folha neste momento não denota uma forma geométrica e sim o lugar onde a peça deve ser colocada. Esta atividade deve ser desenvolvida em etapas.

1ª - comece com uma cor em cada folha separada.


2ª - Depois que o aluno conseguir fazer as atividade em cores por vez, desenvolva então com duas cores ao mesmo tempo na mesma folha.3ª - Depois de ter exercitado nas etapas anteriores, trabalhe agora com as quatros cores as mesmo tempo na mesma folha.
4ª - Nesta última etapa também propomos o trabalho com as quatros cores ao mesmo tempo na folha, diferença é que as cores não estão ordenadas exigindo um grau maior de dificuldade.



















Veja que foram usados materiais reaproveitados como as tampas e palitos de plásticos, que aparentemente não serviriam para fazer nada além de poluir as ruas. Fica a diga de uma forma de uso didático desses materiais.

Muito importante que você aplique as atividades propostas, pois os resultados certamente surgirão.

Fonte: Autismo no Amazonas